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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Último de Filosofia

Último resumo de filosofia! (ainda vão cansar dessa história de "último resumo"...)
Matéria: parece que ela vai cobrar iluminismo/iluministas, mas já fiz uns 3 resumos falando disso, então nem vem! Que mais que tem? Kant e Críticas ao Estado Burguês.

Ok, Immanuel Kant bem resumido que ainda tem que fazer resumo de artes...

Kant viveu uma vida pacata, nunca saiu de sua cidade, mas foi um dos principais iluministas e precursores da Filosofia contemporânea, especialmente por seus estudos epistemológicos (sobre o conhecimento em si) e por cessar com o contraste entre o racionalismo e o empirismo. Suas principais obras foram: Crítica da razão pura e Crítica da razão prática.

Para Kant, o conteúdo não é algo inato. Ele também não defende o contrário, como os empiristas, que dizem que a razão é adquirida pela experiência. Ele parte do pressuposto de que a razão não se alcança, ela própria é inata. Mas as suas estruturas e conteúdos, esses sim têm de ser adquiridos e se faz isso pela experiência (exceto tempo, espaço e categorias como causalidade, qualidade e quantidade, que servem pra organizar o conhecimento adquirido pela experiência). Com essa tese, Kant arrasa os empiristas e inatistas (racionalistas), quebrando a base dos dois e utilizando argumentos de ambos para fundamentar sua teoria.

A priori... Que diabos é isso? É algo que já se encontra desde o princípio, é inato. Para Kant, a razão e as categorias da razão são a priori, sendo, assim, vazios de conteúdo (como isso ocorre com todos nós, a razão é universal e universalmente inata). Os nossos sentidos nos ajudam a "preencher" as categorias da razão com o conhecimento, que Kant chama de a posteriori (não são inatas, vêm com a experiência e diferem de indivíduo para indivíduo).

Para Kant (3.0), não temos capacidade de conhecer as coisas propriamente ditas, mas sim os fenômenos causados por eles. Revolução Copernicana da Filosofia: não, Copérnico não era exatamente um filósofo. Diz-se que é uma revolução Copernicana, pois Kant fez na filosofia o que Copérnico fez na astronomia: mudou o centro de estudo que antes era o objeto do conhecimento (a coisa) e passou a ser o sujeito do conhecimento (quem aprende, o homem em si): procurou estudar não os objetos em si, mas nossos mecanismos a priori de buscar compreender a realidade externa (resumindo: estudou a razão humana: isso é o próprio conceito de epistemologia).
Sobre as questões morais, Kant dissocia a moral da religião (pois à época, considerava-se moral como sendo a moral cristã, que guiou por séculos o modo de vida da sociedade européia). Ele rejeita a moral cristã, valorizando uma moral laica e totalmente baseada na razão (contrário a Rousseau, que acreditava que a moral baseia-se na emoção). Ele crê que um ateu pode agir de forma moral, pois para Kant, agir moralmente é agir de acordo com a razão. Diz que a ação é moral quando regida por imperativos categóricos, os quais são absolutos e incondicionais (são noções de conduta já "inseridas" na razão, que guiam a ação de forma moral).

Assim como a razão, as leis morais são universais e toda ação deve ser feita "de tal modo que a máxima de sua ação possa sempre valer como princípio universal de conduta", ou seja, sempre aja de tal forma que sua ação seja moralmente aceita quando feita por qualquer pessoa, em qualquer lugar, em qualquer circunstância. Exemplo rápido: provavelmente Kant julgaria errado jogar lixo na rua, pois se você levar isso ao máximo é também errado jogar 1 tonelada de lixo na porta da sua casa (é aquela velha frase de professora de jardim: não faça com o coleguinha o que você não gostaria que ele fizesse com você... é tipo isso!). Também a ação moral deve ser pautada num objetivo (numa finalidade) ou na liberdade de cada um e não pela obrigação ou necessidade de se fazer algo.

Por mais que não creia na moral cristã, Kant considera necessária a crença na existência de Deus, mesmo que não haja meios científicos ou racionais de prová-la.
Ontologia = nova metafísica, que não deveria se preocupar em estudar "o Ser enquanto ser, nem Deus, nem alma". Deveria estudar as condições universais e necessárias da objetividade em geral (ou seja, algo mais próximo da razão humana e com aplicação prática na vida das pessoas).
Para Kant... (chega!)


Críticas ao Estado Liberal Burguês
Nessa matéria aposto que muita gente boiou, até porque foi meio inusitado falar de uma coisa praticamente só de história sendo que a gente passou o resto do semestre vendo iluminismo e pensadores específicos. Enfim, sabe-se lá de onde surgiu essa matéria... não é difícil não, relaxa.

Fato: ocorreram revoluções burguesas na Europa que colocaram a burguesia no poder de Estado, correto? Então. É fato também que, sempre no início dessas revoluções, a burguesia contava com o apoio das massas populares para tomar o poder, mas, chegando ao poder, desprezaram as vontades populares, correto? Até aí tudo bem. Veio então a revolução industrial e o processo de industrialização espalhou-se pela Europa, ajudando mais ainda a burguesia a se manter no poder. E as massas? Cada vez piorando de vida: fomes, desemprego, péssimas condições de trabalho. Estão vendo aonde quero chegar? Ao próprio título da aula: com a crescente desigualdade entre a burguesia e a massa trabalhadora, surgiram movimentos filosóficos e sociais contrários ao Estado Liberal Burguês e ao Capitalismo cada vez mais selvagem. Propostas? Várias: aumento da participação política (sufrágio universal = voto de todos), descentralização de poder (mais autonomia às províncias), melhorias nas condições de trabalho, etc. E como nem sempre pedir com educação é eficaz, os trabalhadores se revoltaram, inúmeras vezes. Cabe lembrar que isso acontecera mesmo antes da consolidação desse Estado: em 1786, por exemplo, houve a Conspiração dos Iguais, na França, liderada pelo socialista Babeuf, num estágio Pré-Revolução Francesa. Vieram, depois, as várias revoltas do século XIX, com as revoluções de 20 e de 30, por exemplo (matéria do Cássio); mas as revoltas foram ficando mais evidentes a partir de 1848 (Primavera dos Povos), com o Manifesto Comunista (de Marx e Engels, comunistas imbecis!). Em 1864, por exemplo, houve a Primeira Internacional, com Marx, Engels e Bakunin (anarquista desgraçado!).

As revoltas em si, nós veremos em história. Vejamos, agora, os ideais filosóficos que surgiram para criticar as condições geradas pela Revolução Industrial e pelo Capitalismo:

a) Socialistas Utópicos: idealizavam uma sociedade perfeita sem luta de classes, sem necessidade de revolução para mudar a ordem social. A nomenclatura foi dada por Marx que, por se achar tanto, acreditava que os outros eram muito ingênuos para conseguirem mudar alguma coisa. Principais filósofos:
  • Saint-Simon: participou da Rev. Francesa, propondo uma reestruturação da sociedade, aonde os sábios e artistas governariam os proprietários e os que não tinham posse (trabalhadores). Repare que ele não menciona militares nobreza ou clero pois ele acreditava que esses "ociosos" só traziam desigualdade e prejuízo.
  • Charles Fourier: acreditava na bondade do homem (Rousseau) e pensava numa sociedade dividida em falanstérios - grandes propriedades com produção coletiva agro-industrial.
  • Robert Owen: buscava a igualdade absoluta, através da educação/instrução de qualidade para toda a sociedade, garantindo maior produtividade e igualdade de direitos e deveres.

b) Socialistas científicos: em especial, Marx (à direita - não é Papai Noel nem Santa Klauss)
e Engels. Seu lema era o de revolta social para acabar com o capitalismo e implantar o seu sistema, que julgavam perfeito (imbecis!): o socialismo. O marxismo é justamente essa visão de que a mudança da sociedade começa com a revolta dos oprimidos (proletariado) contra os opressores. Acho que não precisa falar tanto assim de Marx porque tem no resumo de sociologia. Só esclarecendo as influências de Hegel em Marx (porque o Emiliano não se lembra se deu o não deu o Hegel. Talvez por ter vivido na época da ditadura, não? - ah, pra quem não entendeu, relaxa, é interna do 2°F). Hegel dizia que a sociedade sempre vai ter duas forças operantes e distintas que se confrontam: a tese, a antítese (desigualdade entre opressores e oprimidos, por exemplo) e a síntese (que é a junção de tese e antítese, excluindo elementos de ambos). A essa teoria, chamamos DIALÉTICA. Marx acredita que a dialética, por mais que exista, deve ser reduzida ao máximo: quando a sociedade estiver livre de conflito, os seres humanos poderão, finalmente, tomar seu destino em suas próprias mãos. Para Hegel, a realidade é algo espiritual (mundo das idéias), de pensamento; Marx crê no contrário, que a realidade é material. Daí temos o MATERIALISMO DIALÉTICO de Marx.
Tem alguns conceitos nos slides da Paula, como por exemplo meios de produção, luta de classes, alienação, ideologia, mais-valia, revolução socialista, infra e super-estrutura. Como tem vários desses em sociologia, vou encurtar:
  • Infra-estrutura: condições socioeconômicas da sociedade (que movem toda a realidade da mesma sociedade)
  • Superestrutura: política, direito, idelogia e cultura (conjunto de valores e ações morais da sociedade). Para Marx, a infra-estrutura determina a superestrutura.
  • Ideologia: conjunto de pensamentos criados pelas classes dominantes para "acalmar" o ânimo revolucionário do povo. Exemplo: religião (Marx diz que "a religião é o ópio do povo").

Então, é isso, segundo ano! Boas provas!


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Iluminismo e Iluministas

A parte de Iluminismo foi retirada do último resumo:

Iluminismo Filosofia das Luzes, Ilustração (ou Ilustracionismo) ou Iluminismo foi um movimento filosófico do século XVII que influenciou muito a Revolução Francesa e os processos de Independência das colônias européias na América e tinha, como principas idéias:
  • o domínio da razão sobre a emoção/fé (razão = luz - Iluminismo);
  • questionamento das verdades instituídas, através do uso da razão;
  • desenvolvimento das ciências (explicação racional das coisas; Enciclopédia);
  • a liberdade de produção e comércio (liberalismo econômico);
  • o fim do Absolutismo, do Mercantilismo e do Colonialismo;
  • o fim da sociedade estamental (dividida em castas; em especial a sociedade francesa pré-Revolução Francesa);
  • Secularização do Estado (distinção entre moral religiosa e moral política);
  • uma sociedade laica (Estado separado da Igreja-principalmente a Católica, na época; sem religião oficial);
  • igualdade jurídica (todos os homens são iguais perante a Lei);
  • divisão do poder estatal e possibilidade de ascensão política/social.
  • outras besteirinhas que a Paula falou na sala mas eu devia estar dormindo.

Dentre os
Iluministas, podemos citar: Voltaire (deísta: acreditava na existência de um Deus racional que dotou o homem de razão, que o capacita para se auto-governar, sem necessidade de intervenção divina na criação), Diderot e D'Alambert (enciclopedistas:colocaram o conhecimento no papel, desde os tipos de peruca para se usar na praia até a construção de projetos arquitetônicos - tipo uma Barsa da época), Montesquieu (elaborou a teoria do Estado Tripartite: divisão entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com objetivo de desconcentrar o poder) e Rousseau (iluminista mais questionador e com idéias mais revolucionárias ,que instigaram o povo francês na Revolução Francesa; defendia a República, o sufrágio (voto) universal, a fraternidade, aabolição da escravidão e o fim das diferenças sociais -lema: liberdade, igualdade e fraternidade).

Antecedentes históricos e teóricos do Iluminismo: Racionalismo (razão acima da emoção/fé), Revolução Científica (com Newton, Kepler, Copérnico, Galileu e outros, estabeleceram-se leis gerais sobre o funcionamento do universo, trazendo o conhecimento para a área científica), as idéias políticas de Secularização do Estado, de Maquiavel; as contestações à soberania da Igreja Católica e do poder da fé na vida das pessoas (essas contestações aparecem desde a Reforma Protestante até o racionalismo e empirismo, com John Locke) e a Revolução Gloriosa que inspirou politicamente os iluministas (divisão do poder, fim do Absolutismo). Todo e qualquer movimento que fale sobre o fim do absolutismo e sobre a importância da razão antes do Iluminismo pode ser considerado um precursor deste.


Agora os Iluministas tratados nessa etapa:
  • Voltaire: François Marie Arouet, ou Voltaire (como ficou conhecido) foi um grande divulgador dos ideais iluministas pré-Revolução Francesa, através de seus textos e, também, de suas peças de teatro. Além de todas as características básicas dos Iluministas (valorização da razão, etc) e de ser um forte defensor do Deísmo, Voltaire defendia a liberdade de expressão (na época, o governo Absolutista controlava órgãos de censura) e era totalmente contrário ao uso da violência como forma de mudança social (ele acreditava em meios pacíficos, mesmo que fossem lentos - resumindo, era um viadinho!). Por seus ideias, o governo mandou-o para o exílio na Holanda e, posteriormente, na Inglaterra, aonde aprofundou/reavaliou suas teses e simpatizou com a forma de governo inglesa: a Monarquia constitucional ou parlamentar, aonde há participação, mesmo que indireta, do povo nos meios políticos e o poder não é concentrado.
  • Montesquieu: de origem nobre, Montesquieu ficou especialmente famoso pelas suas teses políticas, além da defesa dos principais pontos iluministas. Para ele, a razão deveria guiar também as leis da sociedade, por mais que estas sejam fruto do momento histórico, político e social da mesma sociedade. Em seus livros "Cartas Persas" e, principalmente, "O Espírito das Leis", ele defende a tese da desconcentração política, dividindo o poder do Estado em três Poderes (Legislativo, Judiciário e Executivo), com poderes iguais, sem que um possa ser superior a outro. As leis, assim, seriam fruto do pensamento coletivo e racional, levando em consideração os ensejos do povo e o que realmente leva ao "bem geral da nação".

  • Rousseau: Jean-Jacques Rousseau é considerado o iluminista de maior relevo e importância, sendo ele o que mais se afasta da linha geral de supervalorização da razão. Ele dá à razão a mesma importância da emoção, e às vezes até importância maior à emoção (por isso ele é considerado precursor do Romantismo).
Entre as principais idéias de Rousseau, podemos destacar também aquelas que contrastam com Hobbes. Enquanto Hobbes acreditava no poder absoluto do rei/parlamento para domar os instintos ruins do homem (estado de natureza = mau/egoísta), Rousseau se baseava numa forma de governo que viesse da soberania do povo (República), pois acreditava na "bondade" do homem (estado de natureza = bom), que foi corrompido pela sociedade (mais especificamente pela propriedade privada, "fonte da desigualdade"). Seus textos revolucionários ("O contrato social", "Emílio", "Discurso sobre a desigualdade entre os homens",...) foram condenados e ele fugiu para a Inglaterra, a convite do empirista David Hume.

Em suas obras, podemos enumerar três idéias principais:
  1. A civilização não é uma coisa boa. A partir daí podemos identificar sua aversão à organização das sociedades: "o homem nasceu livre e por toda parte está em grilhões". Essa "escravidão" é resultado da alienação dos indivíduos, alienação tal que vem desde a educação das crianças, que são ensinadas a sufocar seus instintos naturais e reprimir seus verdadeiros sentimentos. Para acabar com tudo isso, o ideal é acabar com as desigualdades, inicialmente e, para isso, acabar com a civilização e com a propriedade privada (por isso é precursor do socialismo utópico).
  2. O sentimento deve substituir a razão como guia na vida e no julgamento. Com o intuito de mudar (melhorar/adaptar) a sociedade, Rousseau propõe que a nova civilização deve ser baseada na liberdade de expressão de nossos sentimentos e instintos naturais (criticado por Voltaire: "lendo Rousseau, desejamos voltar a andar de quatro patas" - primitivismo). Para florescer (né, Müller?!) tais sentimentos, ele fala (no livro "O Emílio", na foto) numa educação com "rédeas mais soltas", de forma a deixar as crianças, por suas próprias experiências e sentimentos, descobrirem o mundo à sua volta, sem terem suas mentes manipuladas ("A instrução das crianças é um ofício em que é necessário saber perder tempo, a fim de ganhá‐lo").
  3. A sociedade humana é um ser coletivo com vontade própria e o cidadão deve subordinar-se à uma vontade geral. Com isso, Rousseau mostra-nos suas idéias diretamente associadas à forma de governo que a nova civilização deveria adotar: uma sociedade aonde a vontade geral (uma média das vontades individuais) sobreponha a vontade individual (vai contra Locke, que falava dos direitos naturais de cada um), sendo que não pode haver um governo que governe em favor de si próprio, mas sim governe para o povo, pelo povo e com o povo (república grega ou representativa). Com isso, ele elabora um novo contrato social, contrário ao contrato de Hobbes (que diz que o povo deve abdicar de sua liberdade para que o governo lhe conceda a vida e a paz), dizendo que o povo é quem tem a soberania e o Estado deve governar para manter essa soberania. Influenciou, com tais idéias, os jacobinos (especialmente Robespierre) e os socialistas utópicos, além de todas as formas de governo baseadas no nivelamento do Estado com a vontade do povo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Locke, Hume e Iluminismo



John Locke (1632-1704)
Teórico inglês que muito influenciou a Revolução Gloriosa (ajudou a constituir, na Inglaterra, uma monarquia parlamentar) e Independência dos EUA (suas idéias são claramente observadas na Declaração de Independência). Suas teses baseiam-se, principalmente, no Liberalismo Político e no Empirismo, criticando, entre outros, o Racionalismo de Descartes. Vejamos algumas de suas idéias:
  • Empirista, Locke acreditava que, só através dos sentidos e da experiência podemos alcançar o conhecimento, baseado em métodos racionais. São apenas os nossos sentidos que nos dão a idéia de real e irreal.
  • Teoria do Conhecimento: seu principal objetivo era investigar os limites do intelecto humano, através dos sentidos e da experiência, baseada em critérios científicos. A principal obra sua sobre a Teoria do Conhecimento é "Ensaio sobre o Entendimento Humano".
  • Locke pensa que todos nós nascemos na estaca zero de conhecimento. Com essa tese, ele nega Descartes (que acreditava que o homem nasce com idéias inatas- que já vêm implantadas em nós desde nossa origem por vontade de Deus) e vai, também, contra Platão (que dizia que cada um de nós nasce com uma certa quantia de conhecimento diferente dos demais). Locke crê que ninguém é superior a ninguém quando nasce.
  • A "estaca zero", de onde todos começamos ao nascer, é também comparada, por Locke, com uma tela em branco, que vai sendo rabiscada e desenhada à medida que experimentamos novas coisas, através de nossos sentidos.
  • O empirismo de Locke foi de muito proveito para as ciências que estavam em desenvolvimento. Para ele, haviam duas possíveis fontes para se chegar a uma idéia: a sensação (sentidos) e a reflexão (conclusão/observação racional a partir da sensação).
  • Dividiu os aspectos dos objetos em primários e secundários. Os primários são aqueles invariáveis, que não se alteram de acordo com o observador: comprimento, altura, largura, peso. Os secundários podem variar de acordo com o observador, sendo mais subjetivos: sabor, cheiro, cor, aparência.
  • A generalização, feita na experiência, pode ser errônea, diferente do que acontece na matemática. E, também diferentemente da matemática, o conhecimento é apenas provável (não se pode se estabelecer como uma verdade: só pode ser demonstrado de acordo com as circunstâncias nas quais foi instituído).
  • Como as religiões não tem base empírica, não se pode saber se há uma religião certa ou errada; Locke, assim, defendia a tolerância religiosa.
  • Ponto conclusivo de Locke: a educação é fundamental para a formação do intelecto do indivíduo, criando para ele as oportunidades de se experimentar e questionar as verdades instituídas e assim por diante, chegando à um maior questionamento do sociedade do que é tido como verdade por ela. Esse conhecimento leva, de certa forma, à participação política, e é isso que Locke pretende ao valorizar a educação.

David Hume (1771-1776)
Filósofo escocês exemplo do empirismo e do ceticismo moderado. Principais características de seu pensamento:
  • Assim como Locke, Hume era empirista, acreditando que a noção das coisas reais vem com a nossa capacidade sensorial (sentidos).
  • Ele acredita que não existe pensamento, por mais complexo que seja, que não derive de idéias simples, cópias de alguma sensação anterior. Nada é original nesse sentido.
  • Criticou a noção comum de causa-efeito (causalidade). Não existe necessariamente, para Hume, uma relação entre acontecimentos seguidos e repetidos diversas vezes: são apenas fatos isolados que devem ser analisados individualmente, sem atribuir ao anterior o rótulo de causa e ao último o de conseqüência. (EX: num jogo de sinuca, quando se dá uma tacada numa bola e esta acerta outra, que se movimenta. No pensamento de causalidade, o movimento da segunda bola seria conseqüência da tacada. Para Hume, é diferente: cada movimento deve ser analisado individualmente, ou seja, não existe uma causa anterior para que a segunda bolinha se mova, apenas o fato de uma força instantânea ter sido aplicada nela por outra bolinha.)
  • Questionou, também, a idéia de Identidade pessoal que todos temos: se todos nós mudamos de acordo com nossas experiências e idéias, como definir-nos de acordo com nossa mentalidade? Para Hume, a mente não pode ser postulada como substância pensante. (Difícil de entender? Talvez, mas é só pensar que você não é o mesmo que era há dois anos. Que o seu "eu", é resultado da sua situação (externa e internamente) num determinado momento de sua vida.)
  • Ceticismo moderado: ele questiona todo o conhecimento tido como tal, dizendo que esse conhecimento também muda de acordo com fatores circunstanciais e não deve ter tido como absoluto (é apenas provável nas circunstâncias em que foi instituído). O que temos, realmente, como verdade, são apenas expectativas. OBS: nessa tese, a matemática fica de fora, sendo ela A ciência exata.
  • "A Razão é escrava das paixões": como todos somos influenciados por nossas emoções/paixões (não se pode ser completamente intelectual, embora dê pra desconfiar de algumas pessoas, né Huff? - Aliás, parabéns pelo aniversário, cara!) Voltando: somos influenciados por nossas emoções e, assim, nossas idéias também o são.


Iluminismo Filosofia das Luzes, Ilustração (ou Ilustracionismo) ou Iluminismo foi um movimento filosófico do século XVII que influenciou muito a Revolução Francesa e os processos de Independência das colônias européias na América e tinha, como principas idéias:
  • o domínio da razão sobre a emoção/fé (razão = luz - Iluminismo);
  • questionamento das verdades instituídas, através do uso da razão;
  • desenvolvimento das ciências (explicação racional das coisas; Enciclopédia);
  • a liberdade de produção e comércio (liberalismo econômico);
  • o fim do Absolutismo, do Mercantilismo e do Colonialismo;
  • o fim da sociedade estamental (dividida em castas; em especial a sociedade francesa pré-Revolução Francesa);
  • Secularização do Estado (distinção entre moral religiosa e moral política);
  • uma sociedade laica (Estado separado da Igreja-principalmente a Católica, na época; sem religião oficial);
  • igualdade jurídica (todos os homens são iguais perante a Lei);
  • divisão do poder estatal e possibilidade de ascensão política/social.
  • outras besteirinhas que a Paula falou na sala mas eu devia estar dormindo.

Dentre os Iluministas, podemos citar: Voltaire (deísta: acrerditava na existência de um Deus racional que dotou o homem de razão, que o capacita para se auto-governar, sem necessidade de intervenção divina na criação), Diderot e D'Alambert (enciclopedistas: colocaram o conhecimento no papel, desde os tipos de peruca para se usar na praia até a construção de projetos arquitetônicos - tipo uma Barsa da época), Montesquieu (elaborou a teoria do Estado Tripartite: divisão entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com objetivo de desconcentrar o poder) e Rousseau (iluminista mais questionador e com idéias mais revolucionárias ,que instigaram o povo francês na Revolução Francesa; defendia a República, o sufrágio (voto) universal, a fraternidade, a abolição da escravidão e o fim das diferenças sociais -lema: liberdade, igualdade e fraternidade).

Antecedentes históricos e teóricos do Iluminismo: Racionalismo (razão acima da emoção/fé), Revolução Científica (com Newton, Kepler, Copérnico, Galileu e outros, estabeleceram-se leis gerais sobre o funcionamento do universo, trazendo o conhecimento para a área científica), as idéias políticas de Secularização do Estado, de Maquiavel; as contestações à soberania da Igreja Católica e do poder da fé na vida das pessoas (essas contestações aparecem desde a Reforma Protestante até o racionalismo e empirismo, com John Locke) e a Revolução Gloriosa que inspirou politicamente os iluministas (divisão do poder, fim do Absolutismo). Todo e qualquer movimento que fale sobre o fim do absolutismo e sobre a importância da razão antes do Iluminismo pode ser considerado um precursor deste.

Contra capa da Encyclopedie, enciclopédia de Diderot, mostrando a Verdade sendo descoberta (no sentido literal mesmo) pela Ciência e pela Razão.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Filosofia - Resumão

Terceira etapa: matéria acumulativa

- Origens do pensamento moderno (caderno)
- maquiavel (pág. 233 a 237)
- Hobbes (pág. 238 a 241)
- Liberalismo ( pág. 245 e 246)
- Locke ( pág. 246 a 248)
- Descartes (1ª, 2ª e 4ª parte do discurso do método)
- Francis Bacon (pág 132 e 133)
- Ceticismo/dogmatismo (pág. 52 a 56)


Origens do pensamento moderno

Quatro movimentos principais podem ser citados quando se pergunta o que originou a filosofia moderna:
  • O Renascimento: representa a quebra com a filosofia escolástica tomista da Idade Média, que tinha Deus no centro de tudo (teocentrismo). O Renascimento, através das Artes e dos avanços nos estudos naturais, põe o homem no centro de tudo (antropocentrismo), valorizando o racionalismo humano acima da fé cega.
  • A Reforma Protestante: para reforçar os renascentistas, os protestantes quebram com as idéias da Igreja Católica, individualizando a religião, dando a liberdade de interpretação das Escrituras e questionando a autoridade da Igreja.
  • O advento dos Estados Nacionais: a centralização dos governos, dos pesos e medidas, das instituições, tudo isso faz com que os países nascentes ganhem força e maior independência: os exércitos, os impostos, a lei e as fronteiras são controladas pelo Estado, não mais pela Igreja ou por grupos minoritários de senhores feudais.
  • A Revolução Científica: valorização exacerbada da razão acima da fé, da emoção, dos sentimentos. Surgem métodos científicos, ciências (matemática, por exemplo). Quatro personagens emblemáticos na Revolução das Ciências: Copérnico (teoria do heliocentrismo), Galileu (comprovação do heliocentrismo), Kepler (lei das órbitas dos planetas) e Newton (leis mecânicas e lógicas que regem o Universo).


Maquiavel

Florenciano, viveu no século XVI e um dos idealizadores da unificação dos reinos italianos. Escreveu o livro "O Príncipe" e dedicou a Florenço de Médici, um dos reis mais poderosos da Itália. "O Príncipe" é uma espécie de manual de governo: ele defende duas formas de governo como sendo as ideais: Monarquia Nova (não-hereditária) e República (contrariando a idéia de Aristóteles, que acreditava que existiam três formas possíveis: monarquia, aristocracia ou politéia...não vêm ao caso agora). Na Monarquia Nova, Maquiavel diz que o bom príncipe deve ter qualidades tais como:
  • Virtù e Fortuna: virtù = virtude, conhecimento. O bom príncipe deve saber como chegar ao poder, como governar e manter sua estabilidade através de suas qualidades como chefe de Estado. A fortuna é o acaso: a junção dos acontecimentos que permitem a chegada ao poder. Um príncipe virtuoso sem fortuna não chega ao poder e o príncipe afortunado e sem virtù chega ao poder mas não é capaz de mantê-lo. Melhor, para Maquiavel, é ter os dois, mas preferir a virtù.
  • Amor e temor: melhor ser amado e temido, mas preferir ser temido, pois o temor é unilateral.
Principal aspecto de "O Príncipe", para a prova: Secularização do Estado, que é a diferenciação da moral política da moral religiosa, ou seja, os valores que regem a moral religiosa não devem atrapalhar o Estado em sua função de garantir o Bem Geral do Estado.



Thomas Hobbes


Inglês, viveu no século XVII, em meio às guerras civis da Revolução Inglesa, foi defensor do Absolutismo, pois acreditava que o homem, em seu estado de natureza, é mau e egoísta, o que gera sempre ao estado de guerra. Tal estado só pode ser evitado se o povo abrir mão de sua liberdade individual e se submeter, politicamente, a um governo que detenha poderes absolutos que o tornem capaz de garantir, ao povo, a paz e a vida. Tal acordo (de servidão política) entre Estado e povo chama-se Contrato Social, que Hobbes expõe em seu livro "O Leviatã". Leviatã é um monstro formado por uma cabeça e um corpo feito com vários corpos humanos, segurando um cetro e uma espada: o leviatã é o Estado, a cabeça é o rei (ou o Parlamento com poderes absolutos) e o corpo é o povo; mesmo que se corte uma parte do corpo, desde que se mantenha a cabeça, o corpo não rui.
Frases de Hobbes: "O homem é o lobo do homem" (estado de natureza mau e egoísta)
"Minha mãe pariu gêmeos: eu e o medo." (medo das guerras civis inglesas)



Liberalismo (páginas 245 e 246)

Liberalismo é o conjunto de idéias levantadas por filósofos desde o século XVII que visava favorecer os interesses das burguesia em ascendência na Europa. Pode ser dividido em:
  • Liberalismo ético: valoriza o trabalho e, conseqüentemente o lucro; prega a liberdade religiosa (o protestantismo, que pregava o lucro, estava em expansão) e a liberdade de pensamento;
  • Liberalismo econômico: prega a não-intervenção do Estado na economia (para que a burguesia não tenha que prestar contas ao Estado e possa se desenvolver mais rapidamente), a livre concorrência (que gera queda nos preços e evita os monopólios) e a auto-regulação do mercado (sem necessidade de intervenção estatal ou de instituições privadas).
  • Liberalismo político: faz uma dura crítica ao absolutismo (que é uma forma de governo imposta à população, sem direito de escolha), crítica ao direito divino dos reis (já que não há fundamento científico para manter essa teoria) e apoio ao voto censitário (de acordo com a renda, já que a burguesia mantinha grande parte da renda).





John Locke
(páginas 246 a 248)

Contextualizando:
Inglês, viveu no século XVII em meio às mudanças Revolução Inglesa. Locke foi um dos idealizadores da Revolução Gloriosa que colocou Guilherme de Orange e Maria Stuart no poder, instituindo a Monarquia Parlamentar Inglesa (presente até hoje). Suas idéias influenciaram amplamente os ideais de independência dos Estados Unidos.

Principais idéias/teses:
Contrariando Hobbes, Locke considera que o homem, em seu estado de natureza, não é egoísta e não tende à guerra, como defendia Hobbes. Com isso, Locke vai contra o Absolutismo, propondo (e instituindo, na Inglaterra) uma monarquia parlamentar, onde o poder não se encontra concentrado. Locke é, assim como Hobbes, contratualista, ou seja, ele defende a idéia de que há, entre o Estado e a sociedade como um todo, um contrato que deve ser respeitado para proveito de ambos os lados. Para Hobbes, nesse contrato social o povo abre mão de sua liberdade (o povo entra numa "servidão" política) para que o Estado possa garantir a vida, a paz e a "liberdade" coletiva; Locke acha que o povo não tem de abrir mão da liberdade (tendo direito à participação política e à revolta, se preciso fosse, contra um Estado opressor) e que o Estado, agindo pelo povo, deve garantir esta liberdade, a vida e a propriedade privada (ele considerava estes três direitos como sendo direitos naturais - jus naturalis - inerentes à natureza e à dignidade do homem). Cabe lembrar que, sendo burguês, ele defendia a propriedade daqueles que já a possuíam, ou seja, aqueles que não a possuíam não teriam direito a ela - tal teoria é extremamente elitista, apesar de liberal.




Correntes filosóficas da modernidade -


1. Ceticismo x Dogmatismo (páginas 52 a 56)
Ceticismo, pelo Dicionário Filosófico, é a concepção segunda a qual o conhecimento do real é impossível à razão humana; o homem deve renunciar às suas certezas (verdades). Cético é todo aquele que questiona todas as idéias conhecidas como verdades, caindo assim numa realidade onde nada é certo, inclusive a própria existência. O ceticismo criticava/critica, em especial, os dogmas: verdades absolutas presentes em certos campos científicos, na religião, na sociedade e na política. Iam contra esse dogmatismo também porque os dogmas nem sempre têm base racional ou lógica, não podendo ser provados exceto por concepções além da razão (fé, por exemplo). Céticos famosos: Pirro de Élida (Antiguidade Clássica) e De La Montaigne.


2. Empirismo
Doutrina ou teoria do conhecimento segundo a qual toda certeza deriva da experiência, da comprovação. Principais empiristas: John Locke, Francis Bacon e David Hume.

3. Racionalismo (páginas 130 e 131, Filosofando)
Doutrina que privilegia a razão dentre todas as faculdades humanas, considerando-a fundamento de todo conhecimento possível. Racionalista de maior renome: René Descartes ("Cogito ergo sum").


Racionalismo - Descartes

Contextualizando: (páginas 5 a 13, Discurso do Método)
Nascido em 1596, o filósofo francês René Descartes estudou, quando jovem, no colégio jesuíta La Flèche, um dos melhores, se não o melhor, colégio de toda a Europa, na época. Largou o colégio aos 19 anos, em 1615, para viajar pela Europa com o intuito de descobrir outras culturas, outras verdades, pois acreditava que não havia aprendido no colégio a verdade propriamente dita, mas, sim, uma repetição dos ensinamentos dos antigos, desde a Idade Média. Serviu no exército de Maurício de Nassau e, depois da carreira militar, dedicou-se à filosofia. Nas suas viagens, escreveu (mais famosos) "Discurso do Método", "Paixões da alma", "Princípios de Filosofia" e "Meditações metafísicas", sendo estes dois últimos numa linguagem mais acadêmica, enquanto os outros dois são obras escritas para a compreensão de um público menos douto, mais leigo.


-Bom senso ou razão (páginas 17 a 19 e 37 a 46, Discurso do Método)
Descartes acredita que o bom senso ou razão (ele não distingue) é a capacidade melhor compartilhada, de tal maneira que todos os homens tem igual capacidade de diferenciar o verdadeiro do falso (universalidade da razão). Apenas a utilização ou aplicação da razão é que mudam de acordo com costume, religião, crenças, dogmas e, muitas vezes, tais diferenciações no uso da razão criam conflitos entre os homens, muitas vezes baseados em motivos irracionais. É para evitar tais conflitos de idéias que Descartes procura criar um método universal baseado na razão (independente da cultura, época, religião, crença, sexo que seja utilizado) para guiar a razão, de forma a escapar do erro (ele fala que o erro é consequência do uso equivocado da razão). O método tem como objetivo alcançar a verdade plena, a partir de questionamentos sobre as verdades instituídas como tal (a dúvida é uma das principais bases do método).

Do Método:
Regras para se evitar o erro (2ª parte)
  • Evidência: "Jamais aceitar uma coisa como verdadeira que eu não soubesse ser evidente como tal";
  • Análise: "Dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas partes quantas possíveis e quantas necessárias para melhor resolvê-las";
  • Síntese: "Conduzir por ordem meus pensamentos, a começar pelos objetos mais fáceis de serem conhecidos, para galgar, pouco a pouco, como que por graus, até o conhecimento dos mais complexos";
  • Revisão: "Fazer em toda parte enumerações tão complexas e revisões tão gerais que eu tivesse a certeza de nada ter omitido.

Prova racional da existência de Deus (4ª parte)
  • Idéia de perfeição: como a idéia de perfeição não origina dos nossos sentidos, já que somos seres imperfeitos, ela deve ter outra origem. Ela só pode ter sido incutida em nós por um ser perfeito, o qual Descartes reconhece como sendo Deus. Assim, ele prova racionalmente que a idéia de perfeição é divina.
  • Idéia de infinito: para que um ser seja perfeito, ele tem de ter todas as suas características perfeitas. Como Deus é "infinito", Deus é, também, infinitamente perfeito. Se ele é infinitamente perfeito, seguindo a idéia que temos de perfeição, ele não pode ser um Deus enganador. Se Deus não é enganador, logo todas as coisas do mundo, incluindo o homem, existem.
  • Ponte: é a partir da certeza de que Deus é infinitamente perfeito e de que as coisas, por conseguinte, são reais, que Descartes consegue analisar as idéias através da dúvida e dizer se são errôneas ou não.
  • Juntando todas estas idéias, Descartes passa de um idealismo - no qual a única realidade é o pensamento e a dúvida - para um realismo, no qual a existência e inteligibilidade do mundo externo são garantidas pela existência de Deus.


Francis Bacon

Considerado, juntamente com Descartes, um dos fundadores do pensamento moderno, especialmente por suas teorias em torno do empirismo (método experimental, comprovação das verdades através da experiência e da repetição, da criação de hipóteses e da verificação através de testes). Assim como os filósofos de seu tempo, ele critica e quebra com a filosofia escolástica (São Tomás de Aquino, idade média). Defende o pensamento crítico e o progresso da ciência e da técnica com o objetivo de facilitar o controle da natureza em benefício do homem.

Em seu livro "Novum Organum" (do latim, novo órgão), ele critica a o método dedutivo das ciências derivado do "Organon" (órgão) de Aristóteles. Como Descartes, cria um método para evitar o erro, um método indutivo que, com base em observações, permite o conhecimento do funcionamento da natureza e, observando a regularidade entre os fenômenos e estabelecendo relações entre eles, permite elaborar leis científicas (generalizações dedutivas). A base desse método é livrar-se de preconceitos, ilusões e superstições (isso, para ele, são os ídolos: distorções ou ilusões que "bloqueiam a mente humana"). Os ídolos podem ser:
  • Ídolos da tribo: são as ilusões/distorções provenientes da própria natureza humana. Ele compara a mente humana com um espelho: "O intelecto humano é semelhante a um espelho que reflete desigualmente o raios das coisas e, dessa forma, as distorce e corrompe."
  • Ídolos da caverna: são as ilusões/distorções individuais. "Cada homem tem sua própria caverna".
  • Ídolos do foro ou do mercado: ilusões/distorções originadas da sociedade, das relações de troca de conhecimento (comunicação, discurso) entre os homens. "As palavras forçam o intelecto e perturbam por completo. E os homens são, assim, arrastados a inúmeras e inúteis controvérsias e fantasias." Tais "palavras", para ele, são originadas da comunicação entre os homens.
  • Ídolos do teatro: ilusões/distorções geradas por doutrinas/dogmas filosóficos que criam realidades fictícias e convencionais a quem as impõe.

Erros no resumo, sugestões: mateus.felix@gmail.com


domingo, 4 de maio de 2008

Locke, Céticos x Dogmáticos e Descartes

Dedicatória: para Gabriela Cartaxo (2º ano C), que gentilmente me passou a matéria, Henrique Rocha (2º ano D) por emprestar o livro e pra Paula (não, não é a professora!), que é a garota mais linda e gente boa que eu conheço.

Filosofia Política - John Locke (246 a 248, Filosofando)

Contextualizando:
Locke era um médico inglês, filho de burgueses, que viveu no século XVII em meio às mudanças que estavam em curso em seu país. Ficou exilado alguns anos na Holanda por conspirar contra a Coroa na época da Revolução Puritana, que derrubou Carlos I do poder e retornou à Inglaterra no mesmo navio de Guilherme de Orange, futuro monarca inglês. Locke foi um dos idealizadores da Revolução Gloriosa que colocou Guilherme e Maria Stuart no poder, instituindo a Monarquia Parlamentar Inglesa (presente até hoje). Suas idéias influenciaram amplamente os ideais de independência dos Estados Unidos.

Principais idéias/teses:
Contrariando Hobbes, Locke considera que o homem, em seu estado de natureza, não é egoísta e não tende à guerra, como defendia Hobbes. Com isso, Locke vai contra o Absolutismo, propondo (e instituindo, na Inglaterra) uma monarquia parlamentar, onde o poder não se encontra concentrado. Locke é, assim como Hobbes, contratualista, ou seja, ele defende a idéia de que há, entre o Estado e a sociedade como um todo, um contrato que deve ser respeitado para proveito de ambos os lados. Para Hobbes, nesse contrato social o povo abre mão de sua liberdade (o povo entra numa "servidão" política) para que o Estado possa garantir a vida ,a paz e a "liberdade" coletiva; Locke acha que o povo não tem de abrir mão da liberdade (tendo direito à participação política e à revolta, se preciso fosse, contra um Estado opressor) e que o Estado, agindo pelo povo, deve garantir esta liberdade, a vida e a propriedade privada (ele considerava estes três direitos como sendo direitos naturais - jus naturalis - inerentes à natureza e à dignidade do homem). Cabe lembrar que, sendo burguês, ele defendia a propriedade daqueles que já a possuíam, ou seja, aqueles que não a possuíam não teriam direito a ela - tal teoria é extremamente elitista, apesar de liberal.


Correntes filosóficas da modernidade -

1- Ceticismo x Dogmatismo (páginas 54 a 57, Filosofando)
Ceticismo, pelo Dicionário Filosófico, é a concepção segunda a qual o conhecimento do real é impossível à razão humana; o homem deve renunciar às suas certezas (verdades). Cético é todo aquele que questiona todas as idéias conhecidas como verdades, caindo assim numa realidade onde nada é certo, inclusive a própria existência. O ceticismo criticava/critica, em especial, os dogmas: verdades absolutas presentes em certos campos científicos, na religião, na sociedade e na política. Iam contra esse dogmatismo também porque os dogmas nem sempre têm base racional ou lógica, não podendo ser provados exceto por concepções além da razão (fé, por exemplo). Céticos famosos: Pirro de Élida (Antiguidade Clássica) e De La Montaigne.

2- Empirismo
Doutrina ou teoria do conhecimento segundo a qual toda certeza deriva da experiência, da comprovação. Principais empiristas: John Locke, Francis Bacon e David Hume.

3- Racionalismo (páginas 130 e 131, Filosofando)
Doutrina que privilegia a razão dentre todas as faculdades humanas, considerando-a fundamento de todo conhecimento possível. Racionalista de maior renome: René Descartes ("Cogito ergo sum").


Racionalismo - Descartes

Contextualizando: (páginas 5 a 13, Discurso do Método)
Nascido em 1596, o filósofo francês René Descartes estudou, quando jovem, no colégio jesuíta La Flèche, um dos melhores, se não o melhor, colégio de toda a Europa, na época. Largou o colégio aos 19 anos, em 1615, para viajar pela Europa com o intuito de descobrir outras culturas, outras verdades, pois acreditava que não havia aprendido no colégio a verdade propriamente dita, mas, sim, uma repetição dos ensinamentos dos antigos, desde a Idade Média. Serviu no exército de Maurício de Nassau e, depois da carreira militar, dedicou-se à filosofia. Nas suas viagens, escreveu (mais famosos) "Discurso do Método", "Paixões da alma", "Princípios de Filosofia" e "Meditações metafísicas", sendo estes dois últimos numa linguagem mais acadêmica, enquanto os outros dois são obras escritas para a compreensão de um público menos douto, mais leigo.


-Bom senso ou razão (páginas 17 a 19 e 37 a 46, Discurso do Método)
Descartes acredita que o bom senso ou razão (ele não distingue) é a capacidade melhor compartilhada, de tal maneira que todos os homens tem igual capacidade de diferenciar o verdadeiro do falso (universalidade da razão). Apenas a utilização ou aplicação da razão é que muda de acordo com costume, religião, crenças, dogmas e, muitas vezes, tais diferenciações no uso da razão criam conflitos entre os homens, muitas vezes baseados em motivos irracionais. É para evitar tais conflitos de idéias que Descartes procura criar um método universal baseado na razão (independente da cultura, época, religião, crença, sexo que seja utilizado) para guiar a razão, de forma a escapar do erro (ele fala que o erro é consequência do uso equivocado da razão). O método tem como objetivo alcançar a verdade plena, a partir de questionamentos sobre as verdades instituídas como tal (a dúvida é uma das principais bases do método).

Citações:
Sobre o racionalismo:
"O real é, em última análise, racional."
"A capacidade de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso é o que propriamente se denomina bom senso ou razão e é naturalmente igual em todos os homens."
Sobre o método (dúvida):
"Se vós tivésseis um cesto de maçãs dentre as quais várias estivessem podres, contaminando assim as restantes, o que fazer senão esvaziá-lo todo e, tomando cada maçã uma a uma, recolocar as boas no cesto e jogar fora as más"
Nessa frase, as "maçãs" são as verdades instituídas que devem ser questionadas, mantendo aquelas que forem verdadeiras e derrubando as falsas, através da dúvida.