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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Último do Cássio

ok, agora é o último mesmo...


Período Pós-napoleônico ou "Longo Século XIX" (1815 - 1914)

Na historiografia, a fase que vem depois da Idade Moderna, é a Idade Contemporânea. E a Idade Contemporânea começa com o impacto da "dupla revolução" ocorrida na Europa:
  • Revolução Político-Ideológica: soma das revoluções liberais dos EUA e França, que levaram à queda do Antigo Regime e implantação do modelo político liberal burguês e capitalista.
  • Revolução Econômico-Social: revolução Indutrial britânica, que trouxe grande mudança no modo de produção, possibilitando a queda do sistema de produção feudal para o sistema capitalista, mudando a relação entre o homem e a sociedade (relações de trabalho e exploração).
A sociedade do século XIX, graças a essa "dupla revolução", pode ser caracterizada como: industrial, urbana, secular (separada da religião), capitalista; com economia de mercado, propriedade privada (do capital), trabalho livre e assalariado; governos eleitos, direitos iguais e liberdade econômica.

Aspectos gerais do período pós-napoleônico:
  • Supremacia Européia no mundo: todas as principais potências (econômicamente e militarmente) eram da Europa, dando especial destaque para a hegemonia britânica, já que a GB era a maior potência naval, colonial e econômica.
  • Pax Britannica: foi o período que se seguiu às guerras napoleônicas (Inglaterra e aliados tetando conter o avanço francês no continente) e foi marcado pela ausência de guerras generalizadas (houve guerras mais internas). O equilíbrio das potências foi um acordo feito no Congresso de Viena, em 1815, que redefiniu a ordem européia (consequentemente mundial) após Napoleão.
FASES do Período:
1- Fase da Reação e Revolução (1815-1850):
Marcada pela tentativa de manter o equilíbrio entre as potências e de restaurar os governos absolutistas e aristocracias locais; isso pelo menos era o que tinha sido definido pelo Congresso de Viena. O mecanismo do Congresso para manter a paz e evitar movimentos revolucionários era a Santa Aliança, uma espécie de Liga da Justiça militar das potências que estava pronta para atuar em casos de revoluções locais (mas não teriam tanto efeito se houvessem muitas revoluções simultaneamente). Mas, era impossível evitar que o sentimento revolucionário e nacionalista-liberal se espalhasse e viesse à tona. E veio à tona em três "crises" (ou ondas) de revolução:
  • Revoluções de 1820: ocorreram na Espanha, em Portugal e em Nápoles. Fracassaram, por intervenção da Santa Aliança. Apesar de fracassarem em tomar o poder, conseguiram que certas reformas de poder fossem feitas. Por exemplo: Portugal entrou num sistema de Monarquia constitucional, coisa que antes era inviável. Na mesma época, a Grécia conseguiu ficar independente do Império Turco, com ajuda de países da Santa Aliança.
  • Revoluções de 1830:
- França: as chamadas "revoluções de julho" derrubaram o monarca absolutista Carlos X de Bourbon, abalando os resquícios de Absolutismo no resto da Europa e nas Américas (Brasil). Após a derrubada de Carlos, subiu Luís Felipe de Orleans, como Monarca parlamentarista Liberal.
- Bélgica: conseguiu ficar independente da Holanda.
- Itália e Polônia: fracassaram, por intervenção da Santa Aliança; mas o ideal unificador italiano só crescia e era impossível deter seu avanço.

  • Revoluções de 1848: a Europa viveu o que foi chamado de "A Primavera dos Povos", aonde vários países, simultaneamente, entraram em processo de revolução, influenciados, em especial, pela publicação do livro "Manifesto Comunista", de Marx e Engels (num precisa explicar o marxismo, né? pelo amor de Deus! já tem bem uns 4 resumos com marxismo.)
- França: derrubada de Luís Felipe e instauração da 2ª república, com eleição do presidente Luis Napoleão Bonaparte que, logo no início do mandato, sufoca uma revolução de operários e socialistas. Quase terminando seu mandato, em 1852, Luis dá um golpe de Estado digno do seu sobrenome, instaurando o 2º Império, com o título de Napoleão III (aquele que invadiu o México...). Com a derrota da França na Guerra Franco-Prussiana, Napoleão morre e acaba, com ele, o 2º Império, sendo assim instalada a 3ª República francesa, que sufocou a revolução socialista que tomou o poder de Paris, a chamada Comuna de Paris.
- resto da Europa: abatidas pela Santa Aliança.

2- Fase nacionalista e do nascimento de novas potências (1850-75)
As guerras que houveram no período de Pax Britannica foram justamente nessa fase, quando houve a unificação de duas potências nascentes: a Itália (pelo reino do Piemonte, numa guerra contra a Áustria) e a Alemanha (processo realizado pela Prússia na Guerra Franco-Prussiana, contra França, Dinamarca e Áustria). 
- Na Itália, a unificação foi feita de uma ponta para a outra: do sul, o guerrilheiro Garibaldi ia em direção a Roma enquanto do Norte (Piemonte), vinha o primeiro-ministro Cavour, que recebeu a liderança total (a coroa) de Garibaldi ao invadirem Roma juntos (que romântico!), em 70.
- Na Alemanha, o processo foi facilitado pelo Zollverein, união alfandegária dos reinos alemães, em 1834, que unificou "ideologicamente" e economicamente os diversos cantos do país. O chanceler Otto von Bismark foi o principal responsável pela unificação, liderando a Prússia na guerra. Em 71, com a unificação completa, foi iniciado o 2º Reich (Império Alemão): maior potência industrial e bélica.

3- Fase do apogeu do Imperialismo (1850 -1914)
- dominação européia sobre África e Ásia, intensificada pela crise de superprodução de 73-76, que aumentou a busca por mercados e pela 2ª Revolução Indutrial, que aumentou a busca por matérias-primas.
- formação do capitalismo financeiro-monopolista: fusão do capital bancário-industrial, criação de grandes empresas (monopólios, oligopólios, trust, holding) e necessidade de investimento de capital em outros países (exportação de capital): isso aumentou a busca por investimentos e por áreas de influência (mercados dependentes de capital externo - ex-colônias).
A junção de tudo isso é o NEOCOLONIALISMO, que é a dominação econômica sem dominação territorial ou política de maneira direta; exemplo clássico: América dependente dos EUA.

Aew! terminou mesmo, agora.



Penúltimo do Cássio

Ô povinho insistente, viu?! OK, ok eu faço o resumo do Cássio, porque tá tudo mundo dizendo que o blog tá confuso.


Casos dos Países Platinos (banhados pelo Rio da Prata, ex- Vice Reino do Prata)

  • Argentina e Uruguai
De 1810 a 1816, a Argentina passou por um processo de libertação dos espanhóis, liderada pelo líder militar San Martin. Com a expulsão dos colonizadores, foi feito um congresso revolucionário na província interiorana de Tucuman e, nele, proclamada a Independência da Argentina e a criação da República das Províncias Unidas do Rio da Prata. O ideal da elite criolla de Buenos Aires (província Central) era manter unidos Argentina, Uruguai e Paraguai, mas esse desejo não se concretizou e a Argentina ficou separada e independente.

De 1816 a 1862, ocorreu o processo de formação e consolidação do Estado Nacional argentino, que enfrentou problemas internos (unitaristas, que queriam a centralização em Buenos Aires, e autonomistas, que queriam mais autonomia para as províncias do interior) e problemas externos (disputas com o Brasil pela hegemonia na América do Sul e do Rio da Prata). Dentre os problemas externos, podemos colocar como principal a Guerra da Cisplatina. Cisplatina, ou Banda Oriental do Prata (atual Uruguai), foi uma província brasileira até 1825, quando houve uma revolta separatista, apoiada pelos nossos hermanos, contra os brasileiros. Como a guerra chegou a um impasse, a Grã-Bretanha pressionou os dois países para entrarem em acordos e deixarem o Uruguai, que declarou sua independência em 1828.

Os argentinos, de 1828 a 1852, viveram sob o governo de Manuel Rosas, principal caudilho do país e que tinha apoio popular. Rosas, assim como San Martin em 1816, tentou unificar novamente as províncias do Prata, o que foi contra os caudilhos do interior, contra o Brasil, o Paraguai, o Uruguai, a Grã-Bretanha e até mesmo a França! vendo-se cercado, Rosas deixou para lá esse plano, mas ainda pretendia exercer sua influência na América do Sul. Um exemplo foi a sua participação na Guerra Grande do Uruguai, uma guerra civil entre o partido Blanco e o partido Colorado, apoiado pelo Brasil. Para manter sua "reputação" contrária ao Brasil, a Argentina entrou no lado Blanco da guerra, que durou de 1838 a 1852. Em 51 e 52, com a intervenção militar brasileira na guerra, Rosas foi derrotado e os Colorados chegaram ao poder no Uruguai.

Com a derrota de Rosas, é eleito um novo presidente, Bartolomeu Mitre, que governou de 52 a 62. Sua postura perante a América do Sul era bem mais sensata, desistindo da anexação do Paraguai e do Uruguai. Mas, por interesses de defesa de território, aliou-se a Brasil e Uruguai na Tríplice Aliança contra o Paraguai na Guerra do Paraguai (Solano López, do Paraguai, querendo chegar ao Prata, invade parte do Brasil e da Argentina). Com a participação na guerra, setores da economia argentina ficaram mais fortes e, mesmo com o fim da guerra, a economia continuou aquecida por planos econômicos de modernização e expansão econômica do governo Mitre. Tal modernização levou a Argentina a ser o país a ser o mais rico da América Latina no período de aprox. 1890-95.



  • Paraguai
O Paraguai foi o primeiro país da América Espanhola a conseguir sua independência, em 1811. Desde os tempos coloniais, o país era muito dependente da exportação quase que exclusiva da erva-mate, produzida com mão-de-obra indígena (guaranis), que correspondia a grande parte da população do país, nos aldeamentos, fundados pelos jesuítas (formavam missões, reduções: comunidades auto-suficientes). Um grande problema do Paraguai, inicialmente, era a sua fronteira imprecisa, o que causou conflitos com os vizinhos, e a sua interiorização no continente, sem ter acesso a vias pluviais ou marítimas para escoamento da produção. Isso tudo somado fez do Paraguai um potencial expansionista e em frequente briga com os vizinhos.

Em 1814 começou o governo ditatorial de Gaspar Francia que, embora autoritário, tinha largo apoio popular. Suas medidas foram quase todas em prol do isolamento e da auto-suficiência do país, fazendo poucas trocas comerciais externas. Ele fortificou as defesas do país investindo pesado no Exército e na indústria metalúrgica e bélica. Além disso, aumentou a produção do país com as Estâncias da Pátria, grandes fazendas do Estado arrendadas para camponeses/indígenas. O governo de Francia durou até 1840.

Em 1844 subiu ao poder outro ditador, ligado ao anterior: Carlos López assumiu o poder com intenções de ampliar o mercado externo, tentando acordos diplomáticos e de navegação com Brasil e Argentina para alcançar vias de escoamento da produção (oceano, rio da Prata). Apesar do bom lado de alcançar vias de escoamento, o país abriu a possibilidade de conflitos por causa disso, então a política bélica e intervencionista do governo continuou.

Em 62 sobe ao poder o filho de Carlos: Solano López, que já começa provocando Argentina e Brasil com suas intenções expansionistas. Primeiramente, se alia ao governo Blanco do Uruguai, até que, em 63, explode a revolta dos Colorados, apoiados pelo Brasil. Em 64, ajudando seus aliados Blancos, Solano López entra em Guerra com o Brasil e começa a famosa Guerra do Paraguai, envolvendo Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai (quem mais lutou foi Brasil x Paraguai). A guerra pode ser dividida em 3 fases:

- de 1864 a 65: ofensiva paraguaia invade partes da Argentina e do Mato Grosso, conseguindo acesso ao Rio da Prata;

- de 66 a 68: o império contra-ataca. Brasil e Argentina recuperam seus territórios mas não vencem a barreira na fronteira paraguaia.

- de 1868 a 1870: através, principalmente, de batalhas navais, a Aliança virou o rumo da guerra e invadiu o Paraguai. Solano López, desesperado, convoca e arma toda a população pra guerra de Salvação Nacional. Os aliados vencem e matam Solano e de 10 a 50% da população paraguaia vão junto.
Fim da guerra e derrota completa do Paraguai.

Consequências da guerra:
- Aniquilação do Paraguai e de sua população (de 10 a 50%).
- Brasil e Argentina ficaram com territórios paraguaios.

Visões sobre a origem da guerra:
- até a década de 1860: causada pelas ambições epansionistas de Solano López.
- de 1960 a 1980: causada pelo imperialismo britânico (conspiração com Brasil e Argentina para destruir a economia auto-suficiente e industrial do Paraguai).
- de 1980 até hoje: causada pelos problemas na formação das Nações do Prata (disputas por hegemonia territorial/marítima/do Rio da Prata.

(continuo a matéria do cássio num outro resumo... posto já já!)




sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Revoluções Hispano-Americanas - Partes I e II

A primeira parte do resumo já havia sido postada na etapa anterior:

De 1810 a 1825, ocorreram, na América espanhola, as chamadas Revoluções Hispano-Americanas, foram revoltas lideradas pela elite criolla, que buscava sua liberdade econômica e o direito de se autogovernar, recuperando e ampliando a autonomia que possuía antes das Reformas Bourbônicas (ver resumo da "Independência da América espanhola"). Como o governo espanhol se negava a fazer concessões, as revoltas passaram a ter cunho separatista, visando a independência das colônias. Não apenas lutas contra os espanhóis, as Revoluções viraram guerras civis, dividindo os criollos entre liberais e conservadores (os que queriam a independência completa, com exclusão de privilégios do clero e do exército e os que preferiam continuar ligados à Espanha, respectivamente). A guerra racial (índios contra brancos) e a revolução social (camponeses contra elites) também figuraram. O que foi uma constante nas colônias foi o poder na mão dos criollos, sobretudo representados por grandes chefes político-militares, conhecidos como caudilhos.

Os principais motivos impulsionadores das Revoluções podem ser assim enumerados:
  • 1. Reformas Bourbônicas. Geraram demasiado descontentamento por inibirem o poder administrativo das elites criollas e aumentarem os impostos na colônia.

  • 2. Impacto da Independência dos EUA e da Revolução Francesa: os ideais liberais e iluministas provaram-se capazes de serem postos em prática, dando esperança para os movimentos separatistas coloniais e estremecendo as bases do Antigo Sistema Colonial, que entrou em crise irrecuperável.

  • 3. Reinado de Carlos IV: Foi o monarca que reinou durante o início das Guerras Napoleônicas. Ao contrário do pai, Carlos IV foi um rei fraco, que praticamente entregou o poder para seu primeiro-ministro Manuel de Godoy, que era extremamente impopular e "burro", sendo que todas suas decisões foram desastrosas para a Espanha e para o controle metropolitano sobre as colônias.

  • 4. Guerras Napoleônicas: enfraqueceram por completo a Espanha, tanto militarmente quanto politicamente.
Num primeiro momento, Manuel de Godoy se alia à coligação anti-francesa e leva uma linda sova. Com o Tratado de Santo Idelfonso, o de Godoy vira a casaca, passando para o lado francês, o que faz com que os espanhóis levem um surra pior ainda, ilustrada na Batalha de Trafalgar, quando o Almirante inglês Horatio Nelson arrasa com a marinha espanhola e francesa. Sem marinha, como controlar o império colonial do outro lado do Atlântico? No way, man!

Começam então os problemas nas colônias: em 1806/7 por exemplo, os britânicos invadem Buenos Aires, sendo expulsos pelos próprios criollos portenhos, que viram que não havia porque depender da metrópole.
Vem então o Tratado de Fontainebleau, em outubro de 1807, que combina a invasão de Portugal entre Espanha e França. A Corte portuguesa foge para o Brasil. Aproveitando a presença de suas tropas em Portugal e no norte da Espanha, Napoleão determina que Carlos IV conceda-lhe terras no norte do país. Carlos IV, totalmente manipulável, dá tudo que Napoleão pede (calma galera, nem tudo). Decepcionada com seu Rei, a nobreza e o exército espanhóis rebelam-se e forçam Carlos IV a abdicar em favor de seu filho (Fernando VII), num episódio conhecido como Revolta de Aranjuez, em 18 de março de 1808. Napoleão interfere na briga, chamando Carlos e seu filho para Bayone, onde são forçados a abdicar e encarcerados. José Bonaparte assume o controle da Espanha, desencadeando revoltas do povo e da nobreza , gerando a Guerra Peninsular.


  • 5. Guerra Peninsular: episódio dos mais sangrentos das Guerras de Napô, a Guerra Peninsular foi a luta de libertação dos portugueses e espanhóis, que estavam sob julgo dos franceses; a Espanha e suas colônias estavam em estado de caos político e social. Espanhóis e portugas eram ajudados pelos britânicos e tinham o apoio dos colonos, que também queriam a volta do rei Fernando VII, "O Desejado", que era mantido aprisionado na França.
Foram formadas juntas, comitês de resistência em várias cidades da Espanha e da América em nome do rei "no xadrez". Em 1810, foram criadas as famosas Cortes de Cádiz, parlamento que reunia especialmente a burguesia espanhola, com caráter revolucionário, com o intuito de governar e manter a Espanha e suas colônias sob controle enquanto o rei não retornasse. Ao mesmo tempo que manteve a monarquia, limitou-a com uma Constituição liberal, expedida em 1812 (detalhe: embora houvessem delegados criollos, as cortes se negaram a conceder liberdade de comércio à colônia, o que era extremamente importante para estas, visto que a economia da metrópole não ia bem).

Enquanto as Cortes mantinham-se no poder, a situação na América era horrivelmente confusa: espanhóis no controle de algumas colônias, criollos no controle de outras e insurreições indígenas estourando contra criollos e espanhóis (a coisa tava preta - sem conotações racistas, por favor). Os criollos estavam divididos em um grupo que queria a autonomia colonial e outro que era adepto de manter América e Espanha sob a mesma monarquia e sob a proteção do mesmo exército. Embora divididos, todos queriam direitos iguais aos dos chapetones, autonomia política e liberdade de comércio. (Como não conseguem, futuramente se rebelam para separar a colônia da metrópole.)

Em dezembro de 1813, quase 6 anos depois do início da Guerra Peninsular, Napoleão reconhece a derrota e assina o Tratado de Valencay, liberando o trono espanhol a Fernando VII, recebido com entusiasmo pelo povo.


  • 6. Reinado de Fernando VII: contrariando e frustrando as expectativas dos liberais na Espanha e nas colônias, o monarca, apoiado pela Igreja e pela nobreza tradicional, institui um governo conservador, anulando a Constituição de 1812. Impôs o Absolutismo e tentou restabelecer o controle metropolitano sobre as metrópoles, mandando tropas para coação de movimentos separatistas e para proteger as fronteiras do império colonial. Revoltas e guerras civis eclodiram em toda a América, ao mesmo tempo em que estourou, na Espanha, uma Revolução liberal (Revolução Espanhola; 1820-1823), que forçava Fernando VII a aceitar a Constituição de 1812, abolir os privilégios do clero e dar mais liberdade às colônias; iniciou-se uma guerra civil na própria metrópole. Em consenso, outros países europeus auxiliaram Fernando VII e esmagaram a Revolução. Nos três anos seguintes, o monarca instituiu uma posição extremamente conservadora, contrária à revolução liberal; mas já não havia mais jeito: a situação na colônia já era irreversível, em especial graças à intervenção dos EUA e da Grã-Bretanha.

  • 7. Intervenção dos EUA e Grã-Bretanha: as duas maiores nações liberais da época tinham interesses econômicos nos territórios americanos (ampliação de mercados, obtenção de matéria-prima e comércio livre, especialmente), motivo pelo qual esses dois países ajudaram no processo de independência da América espanhola e portuguesa, impedindo que a Santa Aliança (criada no congresso de Viena para recuperar o status dos países anterior às Guerras Napoleônicas) retomasse os territórios para a Espanha e Portugal. Além do Liberalismo, entrou em cena a Doutrina Monroe, que afirmava que os países americanos tinham, sim, o direito de se separar de suas metrópoles e que não aceitariam intervenções estrangeiras na região, não interferindo também na Europa ("América para os americanos").


A matéria da prova vai desde Revoluções hispano-americanas (fala sobre a fragilidade do Império Colonial Espanhol, devido a fatores internos à Metrópole), assunto que já começou a ser abordado, até o caso do México, que começamos a ver agora.

Caso do México

Em 1810, estourou no México uma revolta popular (camponesa, mestiça e indígena) contra os brancos (peninsulares e criollos), caracterizando uma guerra racial, liderada pelos padres Hidalgo e Morelos, que pediam a reestruturação das estruturas agrárias, com o fim dos tributos aos indígenas, reforma agrária e devolução das terras indígenas aos seus "donos" por origem. A revolta começou com o "Grito de Dolores", dado em 16 de setembro de 1810, data comemorada no país até hoje como início da libertação do país dos opressores espanhóis. Mas o movimento não vingou: Hidalgo foi capturado e fuzilado em 1811; Morelos, que anteriormente declarava lealdade ao governo espanhol (Fernando VII), abandonou o apoio ao monarca e proclamou uma república independente com direitos iguais para todos e planos de reforma agrária. Foi capturado e executado em 1815.

A Revolta de Hidalgo e Morelos, como ficou conhecida, foi sufocada, mas a luta continuou, liderada por Vicente Guerrero e Guadalupe Victoria, especialmente contra a vertente conservadora e dominante dos criollos, que era favorável à manutenção do Pacto Colonial em detrimento dos movimentos de independência. Esses criollos, no governo, tinham o apoio do clero e dos militares, destacando entre eles o general do exército, Agustín de Itúrbide. Inicialmente ao lado do governo, Itúrbide mudou de posição ao estourar, na Espanha, a Revolução Liberal (1820) contra o governo absolutista de Fernando VII. O general, assim como a elite conservadora, temia a extensão das idéias liberais para as colônias, diminuindo o controle das elites sobre a população; sendo assim, os conservadores passaram a apoiar os movimentos de independência: a junção deles resultou no Plano de Iguala, que proclamou a Independência da maior província colonial espanhola (o Vice-Reino de Nova Espanha, o México), em fevereiro de 1821. O Plano, além de proclamar a Independência, garantia três pontos de conciliação entre liberais e conservadores:
1. O México seria uma Monarquia independente, governada por um monarca europeu;
2. Espanhóis (peninsulares) e mexicanos (criollos, índios e mestiços) teriam direitos iguais, juridicamente;
3. A Igreja Católica, fortemente presente no país, manteria seus privilégios.

Em setembro do mesmo ano foi reconhecida a independência pela Espanha. Mas, como não havia monarcas disponíveis no mercado europeu, Itúrbide assumiu o trono como Itúrbide I, governando por apenas 3 anos, sendo derrubado pelos próprios militares. Ascendeu então uma república, com o ex-revolucionário Guadalupe Victoria presidindo o país de 1824 a 1829.

Desde 1821, o país vivia em instabilidade política, com o país dividido entre a corrente liberal, que defendia a república e a abolição dos privilégios do clero e dos militares, e a corrente conservadora, que defendia a monarquia ou república centralizadora, com preservação dos privilégios dos militares e da Igreja nos foros (tribunais especiais). A república centralizadora, recém-formada, mostra o predomínio dos conservadores até 1855, destacando-se, entre os conservadores, o general Antônio López de Santa Ana, que presidiu o país diversas vezes nesse período, ao mesmo tempo em que comandou os exércitos mexicanos contra os texanos e americanos, que terminou na anexação (Santa Ana foi obrigado a vender) de territórios mexicanos pelo governo dos EUA, em especial o Texas.

Em 1855 ocorreu uma revolução liberal, liderada por Benito Juarez, que derrubou Santa Ana do poder e criou uma assembléia, de maioria liberal, para a deliberação da que foi chamada de "La Reforma", que foi uma mudança legislativa, em especial das três garantias da época da independência, com objetivo de modernizar o país para um modelo mais capitalista de produção. Os privilégios jurídicos do clero e dos militares foram abolidos (os bens da Igreja podiam ser vendidos - Lei Lerdo), a educação foi laicizada (sem religião) e as terras coletivas das aldeias indígenas (ejidos) foram transformadas em propriedades camponesas produtivas; o objetivo, não alcançado, era aumentar a produção através de pequenas propriedades produtivas ( os camponeses acabaram por vender suas terras, derrubando a medida). Todos esses itens foram reunidos na Constituição laica e liberal de 1857, que gerou revoltas e culminou numa guerra civil que durou quatro anos, entre liberais e conservadores. Liderados, novamente, por Benito Juarez, os liberais triunfaram e aprofundaram suas medidas liberais e anticlericais, apoiadas pela nova Carta de Lei (constituição).

Benito Juarez assume o cargo de presidente em 1861, com o principal objetivo de tirar o país da situação econômica caótica e caquética. Para isso, suspendeu o pagamento da dívida externa (suspensão = moratória) para poder investir a renda dentro do país, o que gerou desconfiança externa. Aliados à França, Grã-Bretanha e Espanha, os conservadores derrubaram os liberais do poder. Os franceses (em 1864), liderados por Napoleão III, tomaram o país e instalaram uma monarquia com um rei europeu, apoiado pela ala conservadora. Quem assumiu foi o nobre Maximiliano de Habsburgo, que ganhou o título de Maximiliano I. (Observação importante: só houve invasão pelos exércitos franceses, pois os americanos estavam em franco processo de guerra civil, não podendo aplicar a Doutrina Monroe contra os invasores europeus.) O México virou uma espécie de território francês, como é hoje a Guiana Francesa.

Maximiliano, que era de orientações absolutistas e tal, era a esperança dos conservadores de serem anuladas as reformas liberais de 1857, mas as expectativas foram frustradas. Não conseguindo apoio dos conservadores nem dos liberais, Maximiliano foi derrubado por forças liberais (1867), novamente lideradas por Juarez. A França não mandou reforços militares porque a guerra civil americana tinha acabado e a Doutrina Monroe voltou à ativa, além das ameaças de guerras na Europa (unificação da Alemanha pela Prússia).

Com os liberais no poder desde a queda e execução de Maximiliano, subiu ao poder, em 1876, o general Porfírio Díaz, influenciado por ideais positivistas, com o objetivo de centralizar o poder e modernizar as estruturas produtivas do país. Foi o marco do fim da instabilidade política, presente desde 1821, e do início da modernização do capitalismo dependente, baseado na exportação de matéria-prima e na dependência do capital estrangeiro, beneficiando os latifúndios monocultores e os investimentos de capital estrangeiro no país (em espacial, os investimentos dos EUA). A "era do porfiriato" como é conhecida, terminou com movimentos liberais, operários e sindicais, pressionando por reformas democráticas e agrária, derrubando Porfírio (1911) através da Revolução Mexicana, iniciada em 1910, que deixou o país em guerra civil, gerando, mais tarde, a criação de um governo democrático e nacionalista.


Caso da Grã - Colômbia


Caso mais complicado de toda a América Espanhola, tendo como iniciadores os revolucionários Francisco de Miranda e Simon Bolívar (quadro ao lado), o principal libertador da América do Sul. Desde 1806, Francisco de Miranda lutou para expulsar os espanhóis da Venezuela, sem sucesso. Quando os criollos locais assumiram o poder na junta de Caracas (1810), liderados por Miranda, foi proclamada a independência (1811). Não demorou que os espanhóis revidassem e controlassem novamente a colônia, em 1812. Miranda é preso e o comando das forças revolucionárias passa para Simon Bolívar, que obteve certo sucesso no início de suas lutas, mas logo foi derrotado tanto na Venezuela quanto na Colômbia, fugindo para o Haiti. Com o apoio dos líderes haitianos, Bolívar retorna ao continente, libertando a maior parte da Venezuela (entre 1817 e 19). Seu foco então mudou para a Colômbia, libertando também esse país (1819). Nos dois anos seguintes, suas forças terminaram por eliminar o contingente restante de espanhóis nos dois países. Foi então instituído o Congresso de Cúcuta, composto pelos criollos locais, que estabeleceu a República da Grã - Colômbia (envolvendo Colômbia, Venezuela, Panamá e Equador, futuramente libertado). As diretrizes políticas já tinham sido instituídas anteriormente, no Congresso de Angostura, sendo Bolívar o presidente do novo país. Para terminar a união do país, era necessário expulsar os espanhóis do Equador, o que foi feito com a ajuda de Sucre, em 1822. Num franco processo de ruína, o Império Colonial Espanhol se via ameaçado pela separação dos seus principais territórios, os Vice-Reinos: o da Nova Espanha (México) e os da Nova Granada (Grã - Colômbia) se separaram definitivamente. E, não bastasse esses dois, o Vice-Reino da Prata também estava lutando, na figura do libertador argentino San Martin (quadro à direita), pela libertação das regiões mais meridionais do Império. Com um plano de unidade Latino-Americana, encontraram-se Bolívar, Sucre e San Martin na cidade de Guayaquil, no chamado “Encontro de Guayaquil”, com o objetivo de unificar as tropas e libertar as províncias que restavam sob controle espanhol (Peru, especialmente). Por motivos internos, provavelmente brigas ao redor da liderança do movimento, o encontro fracassou e San Martin voltou para a Argentina, lutando também para a libertação do Chile e da Cisplatina (Uruguai, motivo de guerras entre argentinos e brasileiros), e ficou para Bolívar a responsabilidade de lutar no Peru. Entre 24 e 26, Bolívar e Sucre libertaram o Peru e Sucre libertou a Bolívia, acabando de vez com os remanescentes espanhóis na América.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Revolução Haitiana

"releitura" do blog do Cássio

O atual Haiti, localizado na ilha de Hispaniola, ao lado da República Dominicana, nos séculos XVII e XVII, foi colônia francesa, com o nome de Saint Domingue. Era a principal colônia da França e a maior produtora de açúcar do mundo, abastecendo grande parte do mercado europeu e gerando o acúmulo de capitais da burguesia francesa. Sua produção era pautada no sistema de plantation (propriedades monocultoras com mão-de-obra escrava). Sua população era composta por meio milhão de habitantes: 35 mil brancos (grand blancs, aristocratas franceses que controlavam as plantations e as assembléias coloniais/governos municipais), 30 mil mulatos (affranchis, livres, sem participação política) e 435 mil escravos africanos. Essa discrepância dos números foi um dos principais fatores que levou Saint Domingue à seu processo de independência: o país era um barril de pólvora, prestes a explodir, caso ocorresse qualquer rebelião de escravos. A ilha também era um lugar de extremo racismo por parte dos brancos, estimulados pela legislação francesa (outro motivo era a religião: oficalmente, Saint Domingue era católica, mas parte dos negros e mulatos realizavam cultos - vodu, sendo mais discriminados pelas elites).

Veio então, no final do século XVIII (1789), a Revolução Francesa com seus ideais de liberdade, igualdade e abolição da escravidão, dando esperança aos negros e mulatos. Esperanças estas que foram frustradas pelo governo revolucionário e pelos grand blanchs, o que gerou grande tensão na ilha. Simultaneamente, a elite começou a se dividir e lutar pelo controle das assembléias coloniais e governos municipais e os mulatos organizaram-se em bandos armados, atacando a elite. tanto os mulatos quanto os grand blanchs usavam escravos na luta. Instalou-se o caos político na ilha, iniciando aí a Revolução Haitiana, que vai de 1791 a 1804, quando o país proclamou sua Independência.

A Revolução Haitiana baseou-se na guerra racial (mulatos/negros x brancos), na revolução social (escravos x senhores) e na luta pela libertação da colônia (negros/mulatos x ingleses/espanhósi/franceses). As principais causas foram: as grande rivalidades entre escravos e senhores, acentuadas pela quantidade de escravos de Saint Domingue, os ideais de liberdade e igualdade disseminados pela Rev. Francesa e a dificuldade da metrópole (França) em manter militarmente o controle na ilha (a França estava envolvida em outras guerras na Europa - a própria Rev. Francesa e as Guerras Napoleônicas quando pode enviar tropas para a ilha, a situação já estava incontrolável).

Dividindo a Revolução:
  • Agosto de 1791: início da Revolução, os escravos se rebelam contra seus senhores. Instala-se o caos no país.
  • Governo de Sonthonax: em 1792, os Jacobinos enviam o comissário Léger Sonthonax para comandar o país. Detendo poderes especiais, Sonthonax instala um regime ditatorial, perseguindo os brancos, aliado aos mulatos.
  • 1793: invasão da Espanha (que dominava Santo Domingo, na mesma ilha de Saint Domingue) - utilizando tropas de negros da ilha, comandadas pelo escravo Toussaint L'Overture, e invasão da Inglaterra (que tenta tomar a colônia dos franceses), ambas apoiadas pela elite branca. Para obter mais apoio para enfrentar espanhóis e britânicos, Sonthonax decreta a abolição da escravidão (ratificada pela Convenção Nacional em 1794). Com a abolição, L'Overture passa para o lado dos franceses. Em 1795, os espanhóis desistem, enquanto os ingleses só deixaram a ilha em 1798.
  • Toussaint no poder: juntamente com Jean-Jacques Dessalines e Henri Cristophe (também líderes negros), Toussaint derrota as forças mulatas e assume o poder. Grande parte da população tinha sido dizimada ou migrado e a produção tinha cessado durante as lutas. Toussaint institui um regime militar ditatorial, com trabalho forçado nas plantations estatais, tentando regularizar a produção e exportação de açúcar. Sua popularidade despencou.
  • Leclerc invade a ilha: Charles Leclerc, general de Napoleão, invade a ilha por ordem do imperador, com 20 mil soldados. Inicialmente vitorioso, Leclerc consegue capturar e enviar Toussaint para uma prisão na França, onde morre. Tentando restaurar a escravidão, Leclerc desencadeou mais revoltas que, juntamente com doenças, dizimaram o exército francês. Leclerc, inclusive, morreu de febre amarela, sendo substituído por Rochambeau, que brutalmente retomou a guerra racial. Dessalines e Cristopher, no comando dos negros, reiniciaram os massacres. Em 1803 os franceses bateram em retirada, perdendo, no total, 40 mil bons soldados. A parte oriental da ilha, Santo Domingo, continuou sob domínio francês até retomada espanhola, em 1809.
  • 1° de Janeiro de 1804: Proclamação de Independência de Saint Domingue, feita por Dessalines, que assume o poder como Imperador Jacques I (até 1806). O país assume o novo nome de Haiti, que significa "terra das montanhas", na língua nativa.

A Revolução Haitiana trouxe, às elites das outras colônias na América, um tremendo medo em relação à revoltas de escravos, obrigando-as a adotar posturas conservadoras de cautela, evitando desentendimentos com suas metrópoles. As constantes guerras e revoltas no Haiti durante a Revolução, levaram a produção do país a ruínas, gerando colapso econômico e empobrecimento do país - até hoje irrecuperável. A indenização que teve de ser paga à França para que esta reconhecesse a independência também pesou muito na economia fragilizada do Haiti.
Em 1821, foi adotada a República no país, sendo que de 1822 a 1843, o país dominou toda a ilha de Hispaniola.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Os EUA e o Imperialismo em 1890-1914

Novamente: texto extraído do blog do professor Cássio e "reduzido" por Mateus Félix.


O contexto internacional em 1890-1914

Fase final da era da supremacia mundial européia


Principais potências mundiais eram da Europa: Grã-Bretanha (hegemonia marítima), Alemanha, França e Rússia. Os EUA estavam em ascensão e tinham se transformado na maior potência industrial do mundo e em uma de suas grandes potências navais


Auge do imperialismo europeu

Expansão da segunda revolução industrial (química eletricidade, petróleo) e do capitalismo financeiro-monopolista, caracterizado pela exportação de capital (investimentos, empréstimos no exterior).

Visão predominante na época: para uma potência ser poderosa, rica e respeitada, ela precisava possuir um império colonial que lhe fornecesse mercados, matérias-primas, áreas para investir seu capital, bases navais e militares e prestígio internacional. Isso provocou uma corrida imperialista por colônias na África e Ásia e por influência econômica sobre a América Latina.


2. O imperialismo americano em 1890-1914

O ideal imperialista era encabeçado pelos warhawks ("falcões de guerra", da época da 2ª guerra de independência, que queriam a anexação do Canadá) e pela imprensa chauvinista (patriotismo exagerado, idealista).
Alvos dos grupos imperialistas: América Latina (principalmente o Caribe, América Central e México) e o Extremo Oriente/Oceano Pacífico (Hawaii e outras ilhas; para garantir o acesso ao mercado chinês e japonês).

Estratégia defendida pelos imperialistas:
  • Reduzir e restringir a influência da Europa na América Latina para estabelecer a hegemonia americana na região, utilizando-se da Doutrina Monroe ("América para os americanos") .
  • Aproximar-se dos países latino-americanos por meio da ideologia da solidariedade hemisférica e do pan-americanismo (cooperação, aliança e integração dos países americanos).
  • Intervenções militares e protetorados no Caribe (Cuba e Porto Rico, por exemplo), América Central e México para assegurar os interesses americanos.
  • Obter territórios e bases estratégicas no Pacífico e no Extremo Oriente

O Governo de William McKinley (1897-1901)

Anexação do Havaí: O país possuía uma monarquia nativa, derrubada por imigrantes americanos que se estabeleceram na ilha nas décadas anteriores e assumiram o poder em 1893. Cinco anos depois, 1898, o governo desses americanos no arquipélago aceitou a anexação pelos EUA.

Guerra Hispano-Americana: foi causada pelos interesses econômicos e estratégicos dos EUA em Cuba, que era a principal colônia espanhola no Caribe, especialmente graças à sua economia açucareira, mas era também dominada, em parte, por americanos que se estabeleceram ali, vindos especialmente da Flórida.

Em 1895 estorou a Guerra de Independência Cubana, causando violência e desordens que ameaçavam os negócios americanos na ilha. Por precaução, McKinley enviou o couraçado (navio de guerra) Maine para o porto de Havana (se fosse necessário, o Maine resgataria americanos, caso fossem ameaçados). Em fevereiro de 1898, por causa desconhecida, o Maine explodiu (existem versões que falam de minas no porto, de cubanos que se sentiam ameaçados com a presença do Maine e há até quem diga que os cubanos o explodiram para que os EUA se virassem contra os espanhóis, mas nada é comprovado). A opinião pública americana, instigada pela imprensa chauvinista e pelos grupos imperialistas, acusou os espanhóis de serem os responsáveis pelo fato. Em abril de 1898 os EUA reconheceram a independência de Cuba e entraram em guerra com a Espanha (de curta duração e eficaz). A Espanha, derrotada, cedeu aos EUA as Filipinas (Ásia), Guam (Pacífico) e Porto Rico (Caribe), que eram colônias espanholas.

A questão de Cuba

1898-1902 – ocupação americana de Cuba.
1901 – Emenda Platt na constituição cubana: EUA tinham o direito de intervenção militar no país (emenda abolida em 1934, com a revolução cubana).
1902 – independência oficial de Cuba, mas a ilha, na prática, virou uma "semicolônia" dos EUA, que ampliaram o domínio sobre a economia cubana.
1903 – Tratado Cubano-Americano: EUA arrendaram em caráter perpétuo a base militar de Guantánamo (controlada até hoje pelos americanos, pedra no sapato dos cubanos)


O governo de Theodore Roosevelt (1901-1909)


Corolário Roosevelt (corolário = adaptação da teoria) da Doutrina Monroe: direito de intervenção militar dos EUA no Caribe e América Central para proteger os interesses americanos e manter a ordem. Os países em crise de pagamento de dívidas externas teriam suas finanças públicas controladas e regularizadas pelos EUA para evitar a ação militar das potências européias credoras na região. Foia política do "Grande Porrete" ou Big Stick.


A questão do Panamá
: o Panamá era território da Colômbia, com grande importância estratégica: local ideal para a construção de um canal ligando o Atlântico ao Pacífico, evitando a longa volta pela costa da Améria do Sul. No final do século XIX, uma empresa francesa (a mesma construtora do canal de Suez, Egito) começou a construir o tal canal, mas não conseguiu concluí-lo. Roosevelt propôs completá-lo e arrendá-lo perpetuamente (controle americano). O presidente da Colômbia aceitou, mas o Senado colombiano rejeitou. Os EUA, então, incentivaram os movimentos de independência do Panamá (até então território da Colômbia) para que pudesse construir e controlar o Canal do Panamá.

O Panamá, que conseguiu sua independência em 1904 com a ajuda dos EUA, concedeu aos EUA um território para a construção do canal (a Zona do Canal) que ficaria sob controle americano em troca de um arrendamento perpétuo. O Panamá, então, transformou-se em um protetorado dos EUA. O Canal foi construído em 1907-1914 e a Zona do Canal virou, na prática, uma colônia americana (até 1999, data acertada em um acordo nos anos 70 para que cessasse o arrendamento).

Guerra de Secessão dos EUA

O texto à seguir foi tirado do blog do professor Cássio e foi "reduzido" por Mateus Félix.

A Guerra da Secessão (1861-1865)

A Guerra da Secessão foi a guerra civil americana entre os estados nortistas e os estados sulistas separatistas.

Motivos

A forte tradição de autonomia estadual: era muito forte a convicção nos estados americanos (sobretudo nos do Sul, escravistas) que a adesão aos EUA durante a independência era um ato voluntário. Isso implicava também no direito de secessão ou separação, caso a união não fosse mais vista como vantajosa aos interesses dos estados. Esse argumento foi central na decisão sulista de constituir um outro país separado do Norte, em 1860.

A Questão da Escravidão. A decisão de manter a escravidão ou aboli-la era responsabilidade dos estados, que tinham a autonomia nessa questão desde a independência. Os estados do Norte (capitalistas), não dependiam da escravidão e a aboliram, enquanto os estados do Sul , por dependerem dela em suas plantations, decidiram mantê-la. O desenvolvimento industrial do Norte na primeira metade do século XIX, com sua sociedade cada vez mais moderna e inspirada no liberalismo político, tendia a gerar um confronto com o escravismo no Sul. A escravidão sulista era cada vez mais criticada pelos nortistas como um regime atrasado, obstáculo à modernização dos EUA. Com efeito, na década de 1850 o movimento abolicionista cresceu e uma visão simpática aos negros expandiu-se.


A Questão Tarifária. Os estados sulistas tinham poucas indústrias e eram importadores de produtos industriais, defendendo o livre-comércio. Os estados nortistas, ao contrário, defendiam o protecionismo alfandegário contra a concorrência estrangeira.

A Questão do Oeste. Sulistas e nortistas disputavam o status dos novos estados do Oeste, que determinaria o equilíbrio entre as bancadas parlamentares abolicionistas e escravistas no Congresso, favorecendo ou não a proibição da escravidão. Pelo Ato do Kansas-Nebraska (1854), esses estados poderiam optar pela adoção do trabalho escravo, contrariando os acordos anteriores.

A radicalização do movimento abolicionista (1854-1860). Surgiram sociedades secretas que ajudavam a fuga de escravos e organizações políticas que pressionavam pela intervenção federal contra a escravidão. Em 1854, foi criado o Partido Republicano, defensor da abolição. Os republicanos cresceram eleitoralmente em 1855-1860, assustando os sulistas, o que aumentou a tensão na relação entre as duas regiões.

Em 1860, o candidato do Partido Republicano, senador Abraham Lincoln, venceu as eleições presidenciais, alarmando o Sul. Temendo que Lincoln abolisse a escravidão, sete estados sulistas, sob iniciativa da Carolina do Sul, resolveram separar-se dos EUA (dezembro 1860) antes que ele tomasse posse (março 1861). Os estados separatistas (Mississipi, Flórida, Geórgia, Alabama, Louisiana e Texas, além da Carolina do Sul) formaram um novo país, os Estados Confederados da América ou Confederação e elegeram Jefferson Davis presidente. Lincoln tomou posse e, embora tentasse uma conciliação, afirmou que a União – a unidade política dos EUA e o nome pelos quais ficaram conhecidos os estados nortistas – era perpétua. A Confederação manteve-se irredutível e, em abril de 1861, forças sulistas e nortistas entraram em confronto pela posse do Forte Sumter, em Charleston, na Carolina do Sul, guarnecido por soldados da União. Era o início da Guerra da Secessão, que deixou o país dividido: em maio, outros quatro estados sulistas aderiram à Confederação: Virgínia, Carolina do Norte, Tennessee e Arkansas, elevando para onze o número de estados separatistas. Mas os estados escravistas de Delaware, Maryland, Kentucky e Missouri apoiaram a União, assim como a parte ocidental da Virgínia. (Uma parte do exército sulista era leal à União, o que dificultou a situação para os sulistas.)

O conflito militar

As forças do Sul. A Confederação possuía 9 milhões de habitantes, sendo 4 milhões de escravos. Começou a guerra com 35 mil soldados e chegou a mobilizar mais de 700 mil. Tinha a vantagem de possuir melhores oficiais do que o Norte e contar com apoio da Grã-Bretanha e da França, que lhe forneceram armas. Mas não possuía quase nenhuma base industrial (os armamentos eram, em sua maioria, importados), tinha menos recursos financeiros e uma população menor do que a da União.

As forças do Norte. A União possuía 22 milhões de habitantes. Iniciou a guerra com 19 mil soldados mas conseguiu nos anos seguintes recrutar mais de 1,5 milhões. O apoio dos estados do Oeste, a sua base industrial (já a terceira maior do mundo, inclusive belicamente), sua rede ferroviária, seu poder financeiro e o tamanho da sua população foram decisivos para sua vitória a longo prazo.

Em um primeiro momento, a vantagem militar esteve com os sulistas mas com tempo a União fez sentir a sua superioridade numérica, econômica e moral:
(I) os portos do Sul foram bloqueados pela marinha do Norte, impedindo o contato com a Grã-Bretanha e a França;
(II) Lincoln lançou a Proclamação da Emancipação (setembro 1862) declarando livres os escravos dos estados rebeldes(sulistas, contra a União), legitimando a guerra como uma campanha justa contra a escravidão e mobilizando os negros do Norte contra a Confederação;
(III) a estratégia militar do general Ulysses S. Grant, Comandante-Chefe da União, de destruição do território sulista, enfraquecendo o moral dos rebeldes, e de atacar continuamente e sem descanso o exército confederado (comandadas por Robert E. Lee), sem se preocupar com as perdas nortistas.
A partir de 1864, as principais cidades do sul foram tomadas e incendiadas, incluindo Richmond, a capital da Confederação, em abril de 1865 . No mesmo mês da queda de Richmond, as forças sulistas se renderam, derrotadas. A mais violenta guerra da história dos EUA matou 620 mil americanos (360 mil da União e 260 mil da Confederação) e deixou 500 mil feridos.

Conseqüências

A vitória do Norte restaurou a unidade territorial dos EUA, aboliu a escravidão em todo o país (13a Emenda à Constituição, em 1865, ampliando a Proclamação da Emancipação) e permitiu um grande desenvolvimento do capitalismo industrial americano nas décadas seguintes. Contudo, os escravos libertados não receberam ajuda do Estado e a maioria esmagadora continuou vivendo na pobreza, ficando marginalizada politicamente. Além disso, o ressentimento sulista, sobretudo a ação de aventureiros nortistas a procura de cargos políticos no Sul com apoio dos negros, refletiu-se no aparecimento de grupos terroristas racistas (a Ku Klux Klan) e na criação de leis que segregavam os negros dos brancos, negando-lhes vários direitos. Além disso, o inconformismo com a derrota da Confederação levou um sulista radical a assassinar Lincoln em um espetáculo teatral, em Washington (14 abril 1865).