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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

último de sociologia!

Aê, galera! Última etapa, últimos resumos!
A matéria do Emiliano é acumulativa e envolve todos os pensadores que vimos na última prova (aquela droga de prova, cá entre nós) mais a "matéria" da terceira etapa, que é a aplicação dos pensamentos dos mesmos teóricos nas obras "Hotel Ruanda" e "O Germinal", focando também no preconceito, que junta muitas das teorias já estudadas, decoradas ou resumidas. Eu até diria para lerem o último resumo sobre os teóricos, mas vou resumi-los mais ainda baseado no que o Emiliano focou na prova passada e durante as últimas aulas.

Comte
Auguste Comte foi muito importante para a Sociologia por inserir, nessa ciência humana, leis e códigos usados as ciências exatas, dando um caráter mais científico ao estudo da sociedade; a essa teoria de Comte deu-se o nome Positivismo. O maior exemplo de uso (mesmo que errôneo) do positivismo é o Darwinismo Social, que foi a aplicação, na sociedade, da teoria evolutiva de Charles Darwin. O darwinismo social diz que, assim como as espécies, as sociedades humanas passam por processos de diferenciação e de evolução, existindo, assim, sociedades mais evoluídas, mais civilizadas. A exploração e dominação do povo europeu sobre os demais povos da Terra foi justificada nessa teoria de que o homem branco teria de levar a civilização para tais sociedades inferiores ("fardo do homem branco"). Comte era contrário ao Darwinismo social, mas não negava sua existência e seu embasamento teórico, mesmo que errôneo.

Durkheim
Seguindo a linha positivista de Comte, Durkheim criou regras para o estudo científico da sociedade. Seu método começa ao determinar um objeto de estudo para a Sociologia: o fato social. Fato social é todo aquele acontecimento que se repete de maneira padrão nas sociedades. Tais fatos sociais têm 3 características básicas:
1. Coerção social: o indivíduo já nasce num meio aonde os valores estão enraizados e não se pode querer mudar o meio, pois o que foge da realidade do meio é considerado anormal e é sujeito a uma punição.
2. Exterioridade: os fatos sociais ocorrem queira o indivíduo ou não, ou seja, são exteriores a ele.
3. Generalidade: existe um padrão nos fatos sociais, que se repete sempre, em todas as sociedades, em todas as épocas.
Essas bases do fato social nos levam a um dos principais pontos defendidos por Durkheim: o determinismo, que é justamente essa exterioridade da realidade em relação ao indivíduo. Isso quer dizer que, independente da vontade ou do conhecimento do indivíduo, a realidade dele já está traçada pelo meio e pela consciência coletiva. Consciência coletiva é mais do que a soma das vontades individuais, é a síntese dos valores e regras da sociedade, que é atemporal, passando de geração em geração e determinando a realidade da sociedade.
Para Durkheim, o sociólogo deve se libertar de todos os conceitos e preconceitos que tem da realidade, incluindo as influências do senso comum, e estudar os fatos sociais como coisas externas a ele, distanciando-se ao máximo de seu objeto de estudo para poder analisá-lo sem imprimir uma visão pessoal. Para isso, muitas vezes ele se utiliza da estatística, que mostra os fatos sociais como números, exatos, que não dão margem a interpretações deveras pessoais (Glossário: deveras = muito).
Para Durkheim, uma maneira de analisar as sociedades é através de seu processo evolutivo, que passa da horda (organização pouco complexa) para organizações mais complexas como a tribo ou o clã. No processo evolutivo, a sociedade passa por uma fase chamada solidariedade mecânica (as vontades individuais são mais reprimidas, dando mais valor à consciência coletiva, representada nos valores sociais, econômicos e religiosos, presentes em sociedades como as da Idade Média) e evoluindo para a solidariedade orgânica (o individualismo sobrepõe a vontade coletiva, a modernização é presente por motivos de lucro e excedente e não mais de subsistência; presente em sociedades como na Idade Moderna/Contemporânea).


Weber
Para facilitar, é só lembrar que ele discorda em 99,9% das idéias de Durkheim; só faltou chamar de viadinho. Para começar, ele crê que o objeto de estudo não é o fato social em si, mas o indivíduo, que ele chama de agente social. Só pelo nome agente já é possível ver que o indivíduo tem papel nas ações da sociedade; e não só tem ele um papel de agente, mas um papel de motivador e de pensador, que não depende do meio nem da consciência coletiva para realizar suas ações sociais. Sendo assim, Weber contraria o determinismo de Durkheim, chamado a partir de agora de "carinha".
Novamente contrariando o carinha, Weber não acredita na "evolução" da sociedade como a de um organismo, que passa por fases determinadas em direção a uma organização mais complexa. Ele, ao contrário, crê que cada sociedade deve ser analisada separadamente e, para isso, o sociólogo deve basear-se em estudos históricos. Não só ele deve juntar dados, mas deve usar de seu pensamento crítico para dar coesão a esses dados e criar interpretações possíveis da realidade social de cada sociedade ou indivíduo: o sociólogo não mais deve ser imparcial, mas deve interpretar os fatos e criar versões possíveis/prováveis da realidade.
Através do estudo histórico e da análise, Weber cria a sua tese de que a ética protestante, ao contrário da Católica, é mais producente e, conseqüentemente, gera mais facilmente o lucro. Ele argumenta que, como os protestantes (especialmente calvinistas e puritanos) são educados desde pequenos no trabalho, na obtenção de lucro/poupanças e na crença de que o trabalho dignifica, eles são mais "esforçados" e mais propensos a obterem sucesso financeiro; mais facilmente do que os cristãos educados na filosofia e na teologia, ligados à coisas mais altas e sobrenaturais.

Marx
Assim como no resumo passado, faço questão de citar o título do capítulo de Marx: "Marx e a história da exploração do homem". Daí podemos tirar o objeto de estudo de Marx como sendo o indivíduo (assim como Weber) e, mais ainda, a sua História, que é sempre de exploração (seja ele explorador ou explorado). Ele foca seus estudos no processo histórico das sociedades baseado nos modos de produção, que sempre deixam em evidência o que Marx chamou de Luta de Classes (opressores e oprimidos, dominadores e dominados), que sempre existiu desde que o mundo é mundo. Em seus estudos, ele mostra todo o funcionamento do capitalismo, baseado na alienação dos meios de produção e dos lucros (por parte dos trabalhadores, que não tem posse das máquinas nem recebem o lucro do que produzem), na venda da força de trabalho (como não têm as máquinas, os trabalhadores trocam seu trabalho por salários) e, conseqüentemente, na mais-valia (lucro obtido pelos capitalistas por um trabalho que não realizaram, explorando os trabalhadores).
Além de apenas analisar a sociedade e denunciar os podres do capitalismo, Marx propôs um novo modo de produção que se opunha ao capitalismo e triunfaria sobre ele: o socialismo. Chamou de utópicos (sonhadores) todos aqueles antigos socialistas inspirados em Rousseau que acreditavam na mudança sem uma rebelião dos oprimidos contra os opressores. Denominou a si mesmo como socialista científico, por sugerir e delimitar regras e fases que deveriam ser seguidas para a consolidação desse novo sistema:
  1. Luta de classes: antes de qualquer coisa, é necessário esclarecer os oprimidos de sua situação e incitar sua revolta (sangrenta) contra os opressores, acabando com a propriedade privada e com o Estado burguês.
  2. Ditadura do proletariado: após tomar o poder, os operários teriam de se apropriar dos bens dos capitalistas e os dividir entre si.
  3. Comunismo: para manter a igualdade de todos, é necessária uma liderança que acabe com o comércio e invista pesado na educação para doutrinar a população de que a igualdade é necessária, além de controlar a entrada de influência de países ainda capitalistas que desvirtuariam o ideal igualitário.
  4. Anarquia: depois que o povo estivesse doutrinado, não mais haveria necessidade de um Estado, sendo que toda a população se auto-governaria, pensando no bem de todos.
As 3 primeiras etapas chegaram a ocorrer em vários países depois da 2ª Guerra Mundial, mas o sistema ruiu, pois nem toda a teoria é possível de ser aplicada.

E agora, palavras do Taveira em relação a Marx e a meus resumos "socialistas":
"Tens coragem de chamar Voltaire viadinho em um dos seus resumos e nem ao mesmo mencionou o fato de que Marx era um IMBECIL, que afirmou que a opressão sempre existiu em TODAS as sociedades e épocas mas que ele, em sua extrema sabedoria, criaria um sistema em que esse fato inexistisse. Seu barbudo nojento."

Taveira,
  1.  continuo achando Voltaire um viadinho;
  2. é verdade, nunca mencionei "o fato de que Marx era um IMBECIL, que afirmou que a opressão sempre existiu em TODAS as sociedades e épocas mas que ele, em sua extrema sabedoria, criaria um sistema em que esse fato inexistisse. Seu barbudo nojento." E eu não poderia ter colocado em melhores palavras: concordo plenamente! Mas é também fato que toda (ou quase toda) "instituição de ensino", ou que se auto denomina assim, considera Marx o defensor dos "fracos e oprimidos" (tá mais pra "frascos e comprimidos"). Tirando isso, Marx foi sim um comunista desgraçado metido a besta.
  3. Também votaria no McCain.
  4. Espero que a parte do barbudo nojento seja só em relação ao Marx.
  5. vai estudar e pára de reclamar!

Voltando para o resumo...

Matéria da 3ª etapa, mais especificamente: Preconceito na visão dos teóricos acima.

Durkheim - a consciência coletiva passa de geração em geração (é atemporal).
O preconceito, então, por ser um fato social,  se aplica à idéia de consciência coletiva e não pode ser mudado (determinismo).

Weber - o indivíduo, por ter vontade própria, tem capacidade de mudar a sua realidade, contornando a consciência coletiva ou criando parte dela, escolhendo ou não ter preconceito.

Marx - além de não precisarmos seguir a consciência coletiva, podemos alterar a realidade, sendo revolucionários, indo contra o preconceito.


No filme Hotel Ruanda, o preconceito se mostra na sua face racista, na discriminação dos brancos dominadores contra os negros. Essa discriminação passa para os próprios negros que são divididos em tutsis (pele mais clara, nariz mais fino - características que os assemelham as colonizadores belgas) e hutus. Os tutsis ficam no poder e oprimem os hutus que, por sua vez, começam uma revolta armada sangrenta contra a minoria tusti. De início, os capacetes azuis da ONU deram apoio aos resistentes tutsis no Hotel. o dono do hotel, com muitos contatos, consegue manter por um tempo os tutsis, mas o apoio internacional cessou e o massacre ocorreu de qualquer forma. A cena que mais deixa claro o preconceito é aquela em que o coronel dos capacetes azuis se dirige ao dono do hotel e diz que os brancos, o resto do mundo, os considera lixo, os considera escravos e que não tem o mínimo interesse em ajudar na situação interna.

Agora, O Germinal... é o seguinte, povo, eu não li o livro nem consultei resumo nenhum, ou seja, os nomes dos personagens podem (e vão!) estar errados e o enredo também, mas a análise foi feita de acordo com a que o Emiliano fez em sala, então acho que o principal está aí.

Na obra O Germinal, de Emile Zola, também adaptada para filme, podemos ver muito da teoria marxista aplicada à mais-valia, ao capitalismo e à luta de classes. No livro, o personagem Etienne, inicialmente trabalhador de minas de carvão, migra para a cidade para tentar a vida num emprego melhor e o consegue com Boa Morte, um ex-trabalhador de minas cheio de problemas de saúde, algo comum aos mineradores, na época (e hoje, idem). Mas o emprego que ele consegue na fábrica é de péssimas condições, com salários baixíssimos. Etienne então resolve iniciar uma greve. Zuvarin, um russo anarquista conhecido de Etienne, não acredita na greve, pois é um meio muito "pacífico" e que não resolve os problemas do proletariado (sendo anarquista, ele crê que deve haver uma revolução social, por meios radicais). Importante observar essa diferença entre os ideais de Etienne e Zuvarin: o primeiro acredita na greve como forma de mudar o meio e o outro crê que a mudança deve ser radical, para quebrar de vez o sistema vigente e implantar a anarquia completa, diferente da anarquia proposta por Marx, que deve ter etapas (a Ditadura do Proletariado, o Comunismo e depois a anarquia).
A obra apresenta características da realidade do ponto de vista Durkheimiano, como por exemplo o determinismo de personagens como o casal Chevaux e Catherinne (ela "aceita" os abusos do marido por acreditar que seria assim com qualquer homem que ela encontrasse) e inclusive os próprios funcionários da fábrica (aceitam a exploração sem queixar-se - mais-valia). Junto do determinismo está a idéia de consciência coletiva, que coloca o conjunto de valores da sociedade como algo imutável e que controla a vontade dos indivíduos. Contra o determinismo de Durkheim, temos Weber e Marx, que acreditam que o indivíduo não depende da sociedade para tomar suas próprias escolhas: ele tem vontade própria, contra a consciência coletiva, podendo inclusive mudar a consciência coletiva. O personagem que reflete esses pensamentos é o Etienne, que propõe a greve, que, segundo Marx, é o primeiro mecanismo de revolta do proletariado. Mas a greve é mal-sucedida por fatores tanto externos (falta de suprimento de dinheiro e comida) quanto internos (os operários não acreditam no ideal de mudança e não sustentam a greve, justamente por crerem na visão determinista da realidade imutável).

Boas provas!!


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Unidade III: A Sociologia Clássica

O conteúdo da prova de sociologia da Segunda Etapa engloba toda a unidade 3 do livro didático (vai do capítulo 4 ao 7). A partir do próprio nome da unidade e dos capítulos já se pode deduzir o conteúdo central de cada um, por isso os subtítulos do resumo serão os mesmos do início dos capítulos. Depois dessa enrolação toda, comecemos o que interessa (na verdade quase não interessa, mas tem que fazer prova mesmo, então...).

O título da unidade II é “A sociologia clássica", o que nos remete ao início da sociologia, à sua fundação como ciência e ao estabelecimento de suas regras e métodos iniciais, que se ramificaram. Dos primeiros sociólogos, destaquemos Auguste Comte (Positivismo), Durkheim (generalismo), Max Weber (Historiologia) e Karl Marx (estudo dos modos de produção e Socialismo).

A emergência do pensamento social em bases científicas (capítulo 4)

Novamente, olhemos para o título do capítulo. Pensamento social interpretemos como a própria sociologia, que começa a surgir como ciência, saindo da antiga base dos "achismos". O principal passo nessa cientifização do estudo da sociedade foi dado pelo pensador Auguste Comte, com o positivismo. Que é o positivismo? É tentar buscar, em leis naturais (como a biologia) e exatas (como a física), exemplos de leis gerais que guiam o estudo. Por exemplo: ao comparar a sociedade como um organismo, trazemos as leis biológicas para o pensamento social, podendo, assim, instituir leis semelhantes às leis naturais e exatas. Uma aplicação de tais métodos é visível no chamado Darwinismo social, que pega a lei evolucionista e aplica ao contexto imperialista europeu da época: assim como as espécies evoluem, as sociedades também evoluem e é papel do homem branco, que é mais desenvolvido, levar a civilização às outras culturas ("O fardo do homem branco"). Essa foi a justificativa utilizada por países como a Espanha, a França, a Inglaterra e a Bélgica ao explorar suas colônias na América, na Ásia e, especialmente, na África. Mas, esse pensamento era condenado pelo próprio Comte, que não tolerava que suas idéias fossem aplicadas na dominação de outras culturas. Tanto que, posteriormente, foram elaboradas teorias amplamente aceitas de que todos os seres humanos, por pertencerem à mesma espécie, são igualmente evoluídos.
Outra vertente do darwinismo social é aplicada internamente às comunidades, aonde o processo histórico mostra as mudanças nos meio de produção, na organização política etc. Isso é explicado, em parte, pela evolução do pensamento e das idéias, que segue o mesmo molde da evolução das espécies.

Resumindo o resumo: a contribuição de Comte para a sociologia foi, com o Positivismo, tentar aproximar o pensamento social das ciências, aplicando leis para o comportamento humano e colocando a sociologia como ciência social e dando-a o nome que tem.


A sociologia de Durkheim

Contrariando os demais, nesse capítulo não adianta quase nada olhar pro título. Quase nada, eu disse: dizer que Durkheim fazia sociologia quer dizer que ele vem depois de Comte, aproveitando os seus conceitos e elaborando novos.

Das idéias de Durkheim, podemos destacar:
• Influenciado diretamente pelas idéias positivistas, Durkheim busca uma maior cientifização da Sociologia, instituindo regras e métodos práticos para a análise do objeto de estudo da sociologia: o fato social. Fato social é tudo aquilo que faz parte de um comportamento padrão (geral) na sociedade. O crime, por exemplo, é um fato social, pois se repete metodicamente em todas as sociedades, em todos os momentos históricos e a reação contra o crime (a "justiça") também é um fato social que mantém e reforça os valores da sociedade. Os fatos sociais apresentam três características:
1. A coerção social: todo fato social é enraizado na sociedade e o indivíduo já nasce num meio aonde estão instituídos valores (morais, sociais, religiosos, de conduta...) e regras que devem ser seguidas. Caso o indivíduo fuja às regras, existem as punições, que podem ser "legais" (da lei) ou "espontâneas" (desaprovação dentrro de um grupo, causando até expulsão do grupo pertencente).
2. Exterioridade dos fatos sociais: os fatos sociais ocorrem independente da vontade ou do conhecimento do indivíduo, sendo que ele já chega ao mundo tendo que obedecer às regras existentes, sendo educado desde criança nos moldes da sociedade existente.
3. Generalidade: "é social todo fato que é geral, que se repete em todos os indivíduos ou, pelo menos, na maioria deles; que ocorre em distintas sociedades, em um determinado momento ou ao longo do tempo."

Imparcialidade do cientista social (ou sociólogo) é um dos pontos fortes de Durkheim: ele defende que, para fazer uma análise profunda e objetiva de seus objetos de estudo, o cientista/pesquisador deve se despojar de todos os seus pressupostos (coisas que ele tem como verdade) e de todos os seus conceitos, ficando completamente alheio ao assunto, apenas analisando-o por fora. “Durkheim aconselhava o sociólogo a encarar os fatos sociais como 'coisas', isto, objetos que lhe são exteriores."
Matemática estatística e análise quantitativo-qualitativa: ele, através de estudos de fatos sociais (como o suicídio), levanta uma estatística e considera-a como verdade, generalizando os fatos sociais a todos os indivíduos a partir dos dados analisados.
Dúvida metódica: questionando tudo o que é instituído como verdade (como Sócrates), distaciando-se do que é senso comum, crença popular, etc.
Fatos sociais normais ou patológicos: a definição de um fato social ser normal ou patológico depende do nível de complexidade da sociedade, sendo que "normal é aquele fato que não extrapola os limites dos acontecimentos mais gerais de uma determinada sociedade e que reflete os valores e as condutas aceitas pela maior parte da população. Patológico é aquele que se encontra fora dos limites permitidos pela ordem social e pela moral vigente. Os fatos patológicos, como as doenças, são considerados transitórios e excepcionais."
• Sobre o nível de complexidade ("evolução") das sociedades, Durkheim define que o ponto inicial de todas as sociedades é a horda ("forma social mais simples, igualitária", primitiva), partindo para outras organizações sociais (como a tribo e os clãs). Definiu então os estágios pelos quais passa uma sociedade em seu processo evolutivo: a solidariedade mecânica (aonde os valores são coletivos e os organismos são mais independentes dentro da sociedade - por meio da família, da religião e dos costumes; a vontade geral é valorizada) e a solidariedade orgânica (evolução da solidariedade mecânica através da evolução dos meios de produção e da divisão do trabalho, que torna os indivíduos mais interdependentes e menos ligados a costumes, tradições, o que deixa a consciência individual mais valorizada em relação à consciência coletiva.
Consciência coletiva: mais do que a soma das vontades individuais, são as "formas padronizadas de conduta e pensamento". É atemporal.


A contribuição de Max Weber (capítulo 6)

Novamente, o título não fala nada além do óbvio: que vamos ver Max Weber. Suas idéias são muito influenciadas pelo positivismo de Comte (assim como todos os primeiros sociólogos), mas ele quebra um pouco com as propostas de Durkheim. Primeiro porque Weber inova e coloca o aspecto histórico como determinante no processo de análise social (isso porque a Alemanha acaba de ser unificada e é necessário compreender os processos pelos quais isso ocorreu - "interesse pela história como ciência da integração, da memória e do nacionalismo"). O pensamento alemão então se definiu pelo interesse pela história e pelo reconhecimento da diversidade entre os povos, indivíduos, culturas, idéias, organizações sociais.
Durkheim colocava a sociedade como um organismo social, não se interessando pelos diversos processos históricos pelos quais esse organismo passa ao longo de sua evolução. Já para Weber, "a pesquisa histórica é essencial para a compreensão das sociedades. Essa pesquisa, baseada na coleta de documentos e no esforço interpretativo das fontes, permite um entendimento das diferenças sociais, que seriam, para Weber, de gênese e formação, e não de estágios de evolução", como diria Durkheim. Vimos que Weber se refere a um "esforço interpretativo das fontes' históricas, que é justamente outro fator que o diferencia de Durkheim e dos positivistas: ele acredita que 'uma sucessão de fatos históricos não faz sentido por si mesma. Para ele, todo historiador trabalha com dados esparsos e fragmentários." Por isso, ele crê que o sociólogo deva dar uma interpretação aos fatos para que, montando-os, façam sentido e levem a uma conclusão sobre a influência da história na formação da sociedade tal qual ela é. Sendo assim, ele não apóia a imparcialidade, como faziam os demais antes dele.
Novamente quebrando com Durkheim, Weber foca seu estudo não no coletivo, mas no individual. Ele não pega dados gerais para criar especulações sobre os indivíduos: ele parte do indivíduo em si (o agente social) e dá às ações do homem (ações sociais) um caráter intencional, ou seja, tudo o que o agente social realiza, tem sentido, tem objetivo; "estabelece a conexão entre o motivo da ação, a ação propriamente dita e seus efeitos". Sendo assim, cabe ao cientista social procurar os possíveis sentidos para as ações humanas presentes na realidade social.
Seguindo seu raciocínio, Weber consegue explicar possíveis motivos do porquê da ética protestante levar à obtenção relativamente mais "fácil" de lucro: analisando a valorização do trabalho feita pela ética protestante, que vem desde a educação das crianças nas ciências exatas, no investimento do dinheiro, na poupança, na austeridade (o trabalho dignifica), ele entende que essa ética protestante aliada aos valores capitalistas (burgueses) possibilita um êxito maior na vida econômica e social (IMPORTANTE: ler os itens enumerados nas páginas 101/102, que falam justamente sobre o motivo da ética protestante auxiliar no modo capitalista).

Resumindo o resumo, versão 2.0: Weber foi importante para a sociologia por aliar o estudo social à análise histórica e ao seu método compreensivo, que envolve uma ligação do cientista social com os seus objetos de estudo, possibilitando várias possíveis interpretações da sociedade (contrário à imparcialidade do sociólogo).


Karl Marx e a história da exploração do homem

Agora, sim, podemos saber do que trata o capítulo pelo seu título. Se Marx fala da história da exploração do homem, é ÓBVIO que ele leva em consideração os processos históricos influenciando nos sociais e considera que o homem, ao longo da História, vem sendo explorado (pelo próprio homem, inclusive). A partir da idéia da exploração, ele cria a idéia de classes sociais e a diferença entre as classes (luta de classes), que existe desde sempre, de acordo com ele. Sendo assim, ele se propõe a criar mecanismos que acabem com as desigualdades (da sociedade capitalista) e criar um sistema livre de explorações: o socialismo.

Das idéias de Marx, podemos citar, resumidamente (drrrr, é um resumo!) as seguintes:
A dissociação dos meios de produção dos trabalhadores (chamada de alienação): com o capitalismo e a divisão do trabalho, quem realiza trabalho não é quem possui os meios de produção (as máquinas, por exemplo). Sendo assim, a força de trabalho vira um produto, uma mercadoria que é vendida ao dono das fábricas por troca do salário. O salário, para Marx, é a quantia que deve ser paga ao trabalhador pelo valor de seu trabalho mais o suficiente para seu sustento.
Mais-valia: aumento da jornada (tempo) de trabalho sem aumento do salário e sem aumento dos custos para o dono da fábrica, o que implica num aumento do trabalho sem aumento da remuneração, gerando opressão (resumindo: o patrão recebe por um trabalho não realizado por ele, mas por outros, que ele não está pagando, mas obtendo lucro).
Luta de classes: desde as primeiras sociedades, há sempre a noção de Estado ou alguma classe que detenha os excedentes da produção comunitária. Com os excedentes, a classe dominante, consegue se manter no poder, passando esse poder hereditariamente, sempre havendo essa classe dominante e uma classe que trabalha e sustenta a classe dominante no poder e isso ocorre desde os patrícios e plebeus, os senhores feudais e os servos até os capitalistas e os proletários. Ele defende que sempre existiram os opressores e os oprimidos, os dominantes e os dominados. Essa luta de classes sempre existiu e, de certa forma, é inevitável, pois uma classe existe em função da outra, embora ambas tenham objetivos diferentes.
Modo de produção: modo de produção é o conjunto de mecanismos econômicos e de produção que guia a sociedade e gera as classes (e a luta entre elas). Como os modos de produção influenciam diretamente na desenvoltura da sociedade como tal, estudar os modos de produção é importantíssimo para se analisar a sociedade (estudo dos modos de produção > materialismo histórico).
Socialismo científico: ou chamado comunismo, foi a alternativa criada por Marx ao capitalismo, que ele julgava ser um sistema baseado na desigualdade, que dissocia o trabalho do lucro, fazendo com que as classes fiquem cada vez mais distanciadas e, ocasionalmente, entrem em guerra, gerando o colapso do capitalismo. Marx chamou de científico para diferenciar-se dos socialistas utópicos, que queriam o fim do capitalismo e instituição da liberdade e da igualdade (fim da propriedade), sem haver luta entre as classes. Para Marx, isso não era possível, pois as classes sempre iriam manter suas diferenças. Era necessário acabar com as classes, através de uma revolução das classes oprimidas contra as opressoras, acabando com a propriedade privada (o que realmente aconteceu na Rússia em 1917). No comunismo, não há classes nem propriedade privada, tudo pertence a um Estado que gerencia as propriedades de modo a garantir a liberdade coletiva e a igualdade. Mais posteriormente, o comunismo deveria evoluir para um anarquismo (sociedade sem Estado), com uma sociedade autogestora (que se autogoverna).

É isso aí, galera. Ficou meio vago o resumo, qualquer dúvida quanto a matéria ou se acharem erros no resumo, vou estar no MSN depois das 20h30min, hoje. Add aí: mfdsm@hotmail.com.
Boas provas!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Sociologia - Positivismo

A matéria da prova de Sociologia dessa etapa envolve os assuntos tratados nas etapas anteriores (teóricos do absolutismo, filmes...) e que se encontram resumidos nesse mesmo site. A matéria exclusiva da terceira etapa é o capítulo 4 do livro SOCIOLOGIA - INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA SOCIEDADE e que será resumido aqui (com trechos do livro) na ordem inversa de apresentação do livro, por questões didáticas do Félix. (Não reclama!)

  • Da filosofia social à sociologia

Foi "o positivismo que logrou, de forma pioneira, sistematizar o pensamento filosófico." E isso só foi possível com os contínuos avanços nas áreas de ciências naturais (física, química, biologia...). Com tais avanços, o homem foi capaz de entender e analisar como funciona a natureza, deduzir leis naturais e elaborar teorias que explicam, por exemplo, a evolução das espécies. Foi pensando nessas leis naturais que o francês Auguste Comte (1798-1857) elaborou teses sobre o funcionamento do pensamento e do comportamento do homem em sociedade: ele caracteriza a sociedade como um "organismo social", que está sujeito à evolução, a mudanças e que tais mudanças seguem certos padrões, assim como os cientistas acreditavam ser com um organismo biológico.
O positivismo, "como escola filosófica, derivou do "cientificismo', isto é, da crença no poder dominante e absoluto da razão humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob a forma de leis que seriam a base da regulamentação da vida do homem, da natureza e do próprio universo." Logo, o positivismo buscava sempre no comportamento e no pensamento humano uma analogia às ciências naturais, regidas por leis racionais. "A própria sociedade foi concebida como um organismo constituído de partes integradas e coesas que funcionavam harmonicamente, segundo um modelo físico ou mecânico. Por isso o positivismo foi chamado também de "organicismo". (Orgânico = natural.)

SINTETIZANDO: o positivismo foi o movimento filosófico que trouxe os estudos sociais para o "cargo" de Ciência.

  • Evolucionismo e história da humanidade

Com o racionalismo, os avanços científicos e o conseqüente aparecimento das teses positivistas, surgiu também a idéia de que, se as sociedades seguem padrões que podem ser descritos e analisados, o contexto histórico e os acontecimentos que transformam tais sociedades também seguem padrões que podem ser observados e definidos. "Nesse caso, a lei que rege a história seria semelhante às leis naturais que agem de forma espontânea mesmo que os seres que ela governa não têm consciência dela".
Autores como Montesquieu e Aléxis de Tocqueville procuraram compreender os fatos históricos e as diferenças sociais como manifestações de uma ordenação geral que governaria o mundo. O último "defendia a idéia de uma tendência universal à igualdade de condições entre indivíduos e sociedades." Isso porque, se todos os homens, como espécies, são iguais, tendem à igualdade de condições e a uma homogeneização das sociedades, assim como é na natureza.

  • Darwinismo social

Na onda de aliar leis naturais e comportamento social, surgiu o darwinismo social. As leis naturais de Darwin falam da "seleção natural", processo pelo qual as espécies mais desenvolvidas e adaptadas ao meio prevalecem em detrimento dos seres menos evoluídos, "atrasados". Essa teoria, aplicada à sociedade do século XIX, virou uma desculpa quase que perfeita para as grandes potências imperialistas: ao colonizar (escravizar e impor uma cultura européia) países da África e Ásia, países como França, Inglaterra, Bélgica, Alemanha e Itália diziam que estavam tirando os "pobres-coitados" da barbárie, trazendo-os para a "civilização", uma sociedade capitalista e desigual, baseada no consumo e na exploração das forças de trabalho. "Essa explicação aparentemente 'científica' que justificava a intervenção européia em outros continentes era incapaz de explicar, entretanto, as dificuldades pelas quais passava a própria Europa. Naquela época, como hoje, os frutos do progresso não eram igualmente distribuídos e nem todos participavam das benesses da civilização". Contra o darwinismo social, é apresentada a idéia de que, "se o homem constitui biologicamente uma espécie, o mesmo não se pode dizer das diferentes culturas que ele desenvolveu. O caráter cultural da vida humana imprime ao desenvolvimento das suas formas de vida princípios diferentes daqueles existentes na natureza." Logo, as sociedades, as culturas, as crenças não devem ser tratadas como organismos que seguem leis e padrões evolucionistas, pois são resultado do pensamento coletivo humano, que é mutável e que não pode sofrer comparações do tipo "evoluído" ou "menos evoluído".
"Hoje, percebe-se que a complexidade da cultura humana tem concorrido para limitar a ação da lei de seleção natural. A adaptabilidade do homem e sua independência cada vez maior em relação ao meio têm se transformado numa espécie à qual a seleção natural se aplica de maneira especial e relativa", quando se aplica.



CONCLUINDO: "Por mais evidentes que sejam hoje os limites, interesses, ideologias e preconceitos inscritos nos estudos positivistas da sociedade, por mais que eles tenham servido como lemas de uma ação política conservadora, como justificativa para as relações desiguais entre sociedades, é preciso lembrar que eles representaram um esforço concreto de análise científica da sociedade" e possibilitaram, posteriormente, um maior desenvolvimento da nascente SOCIOLOGIA.

DICA (para prova) : ler textos das páginas 77,79 e 80 e identificar as influências positivistas.

Dúvidas, sugestões: mfdsm@hotmail.com

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Sociologia (I)

-Nicolau Maquiavel: cientista político italiano que ficou especialmente conhecido por ter escrito "O Príncipe", que dedicou a Lourenço de Médici, um dos ditadores mais poderosos da Itália, famoso por patrocinar as artes e as letras. Esse livro foi muito importante, principalmente, por ser um "manual" de como governar: Maquiavel explica como deve ser o bom príncipe para alcançar o poder e perpetuar-se no poder. Alguns dos itens mais importantes de seu livro:

  • Virtù e Fortuna: são duas qualidades que o bom príncipe deve possuir. A virtù é, propriamente, a virtude (as virtudes) que faz com que o príncipe seja capaz de agir da maneira certa de acordo com a situação e saber mudar seu posicionamento sempre que for conveniente. Fortuna (sorte, acaso) são os acontecimentos que independem do príncipe e que possibilitam sua ascensão ao poder. Para Maquiavel, um príncipe com virtù e sem fortuna, provavelmente não chegaria ao poder e um príncipe com fortuna, mas sem virtù, chegaria ao poder, mas seria facilmente retirado de seu cargo por não ter habilidades para mantê-lo. O que Maquiavel propõe é que um bom príncipe teria dos dois.
  • Amor e Temor: são as duas maneiras do príncipe controlar seus súditos, sendo que um bom príncipe deve ser amado e temido. Se não puder ter os dois, ele diz que o príncipe deve preferir o temor por este ser unilateral: depende apenas de sua ação para que o povo se submeta, enquanto o amor tem de ser recíproco. Porém, usar somente do temor pode criar, entre o príncipe e os súditos, um sentimento de opressão, o que é ruim para a perpetuação do poder do monarca.
  • Bem Geral do Estado: o bom príncipe deve sempre agir de acordo com o Bem Geral do Estado, ou seja, suas decisões devem ser voltadas para a perpetuação de seu poder e para o bem de seus súditos (isso varia de acordo com a visão de prioridade do príncipe). Exemplo: há um surto de uma doença contagiosa numa província e essa doença ameaça se espalhar pelo país. A província é isolada e o Estado precisa decidir se manda ou não ajuda. O príncipe decide então não mandar ajuda, pois abriria espaço para a saída da doença da província e contágio no resto do país, e decide bombardear a província a fim de acabar com a doença. Tal decisão, ao ver de Maquiavel, é razoável pois defende o Bem Geral do Estado: a província vai ser exterminada para evitar o extermínio de outras pela doença. Daí vem a frase (que não é de Maquiavel) que diz que "os fins justificam os meios": desde que o fim seja uma boa causa, não importam os meios usados para alcançá-lo.
  • Secularização do Estado: É a separação dos assuntos religiosos dos assuntos políticos. De acordo com Maquiavel, a moral religiosa não permite que o príncipe tome as medidas necessárias para manter seu poder, sendo necessária a divisão da moral religiosa da moral política. O bom príncipe, que é dissimulado, só deve defender a moral religiosa quando for conveniente para ele criar uma imagem política de seguidor da religião; fora disso, ele deve manter religião longe de política, com o risco de que a religião derrube-lhe do poder.

- Thomas Hobbes: teórico inglês que viveu na época da Revolução Inglesa, em meio a guerras civis. Suas idéias são, basicamente:

  • "O homem é o lobo do homem": essa frase reduz o pensamento que Hobbes tem da natureza do homem. Ele acredita que o homem, em seu estado de natureza, é mau e egoísta e que, em uma sociedade sem Estado, tende a ficar sempre guerreando. É a partir daí que ele começa a sua defesa do Estado Absolutista: como o homem tende a guerrear e a ameaçar a própria existência, ele teria de abrir mão de sua liberdade, se submetendo a um Estado (Rei ou Parlamento) que detivesse poderes absolutos para findar as ameaças promovidas pela natureza humana.
  • Contrato social: é um contrato que existe entre o Estado e o povo: o Estado garante a paz e a vida, contanto, para isso, com todos os poderes necessários (armas, leis), enquanto o povo se submete a esse Estado (servidão política), para ter a vida, a paz e a "liberdade" coletiva assegurada.
  • "O Leviatã": sua obra mais relevante, em defesa do Estado Absoluto. Leviatã é um monstro, composto por corpos humanos que representam o povo e com uma cabeça coroada, representando o rei. O monstro segura um cetro e uma espada, representando o poder institucional e o poder militar do Estado. O Leviatã, diz Hobbes, é uma alusão ao Estado: se um membro do corpo é cortado, o Estado se mantém, mas se a cabeça (o rei) é cortada, o Estado sucumbe.

-Jean Bodin e Jacques Boussuet: defendem o poder e a legitimidade dos reis pelo argumento religioso (e até afetivo), considerando que a sociedade em que viviam era extremamente religiosa. São os criadores da teoria do Direito Divino dos Reis, onde dizem que o rei recebe o poder diretamente de Deus e, sendo um representante de Deus na Terra, tem a autoridade de tal. Falam ainda da figura paterna do rei: o rei tem o papel, na família terrena (sociedade), de pai dos súditos, cuidando do que é melhor para os súditos.


Contrapondo-se aos teóricos do Absolutismo, vem Jean Jacques Rousseau, iluminista francês que inspirou as insurreições populares francesas na Revolução Francesa. Rousseau acaba com a tese de Hobbes de que o homem é mau e egoísta: o homem, na verdade, em seu estado de natureza, é bom e "inocente" (tese do bom selvagem) e que a sociedade é que o corrompe. E, se "o homem é o lobo do homem", como dizia Hobbes, o rei é o maior dos lobos, não sendo digno de tanto poder.
Rousseau diz que, o início da desigualdade está no momento em que um homem pegou um pedaço de terras e disse que este lhe pertencia e outro homem, ainda mais simplório, aceitou a palavra do primeiro, que é um grande "usurpador” (a propriedade é de todos). Para acabar ou ao menos atenuar as desigualdades seria necessário uma mudança no sistema, estabelecendo um novo modelo onde todos tivessem participação política e, conseqüentemente, os mesmos direitos jurídicos e de propriedade.



Liberalismo econômico - Neoliberalismo - Adam Smith

(dedicado a Ricardo, vulgo "Judeu", 2º F)


Adam Smith, considerado o Pai da Economia (como Ciência), foi um dos principais teóricos neoliberais, responsável pela teoria da Mão invisível do Estado e por defender um Estado mínimo, que não interviria na economia. Detalhando:

  • Não-intervenção do Estado na Economia: o Estado não deve ser responsável nem deve intervir na economia do país, abrindo espaço para a livre iniciativa e livre concorrência. Esse Estado mínimo só deveria intervir em três áreas que demandam um serviço uniforme, de qualidade e de investimento imediato: educação, saúde e segurança. As demais áreas seriam garantidas pela Mão Invisível do Estado.
  • Mão Invisível do Estado: o Estado tem que adotar políticas econômicas que possibilitem o desenvolvimento de empresas com capital privado e com livre concorrência que, competindo, melhorariam a qualidade dos produtos e reduziriam os preços com o intuito de conquistar o mercado consumidor. O Estado não deve intervir em tal processo, apenas sendo responsável por criar os pressupostos econômicos para que esse processo ocorra.
  • Por que saúde, segurança e educação não devem ser asseguradas pela Mão Invisível do Estado e necessitam ação estatal direta? Pois esses campos precisam ser de qualidade e ter abrangência nacional, sendo de igual qualidade em todos os lugares do país; se fossem responsabilidade da Mão Invisível do Estado, os serviços não seriam uniformes e não teriam garantia de investimento imediato.
  • Por que o Estado não deve cuidar de outros campos além desses três? Para Adam Smith, porque o Estado tem de ser mínimo e deve direcionar seu pessoal exclusivamente para as três áreas mais importantes, garantindo maior qualidade nos serviços prestados.




FILMES: O CLUBE DA LUTA e O DEMOLIDOR

Perguntas:

  • Quais as visões de sociedade apresentadas nos filmes?

-Clube da luta: o filme mostra, através do personagem principal, a efemeridade das coisas e valores que temos como ideais. "Nossa Grande Guerra é espiritual. Nossa grande Depressão é a nossa vida". Critica o consumismo exagerado que domina a sociedade: "As coisas que você possui acabam te possuindo". O personagem principal vive consternado com sua vidinha medíocre (trabalho mediano, insônia, excesso de trabalho, compras de catálogo) e resolve freqüentar grupos de ajuda para pacientes de doenças sérias e/ou terminais. Nesses grupos ele percebe que sua vida era, em relação à daquelas pessoas, muito boa. Ele podia se soltar e, assim, "a cada noite eu morria. E a cada noite eu renascia", como diz ele. Mas, aparece outra pessoa que, como ele, busca alívio no sofrimento dos outros: Marla. Ele então, indignado por ter outra "turista" nos grupos, para de participar deles de ajuda e, com o intuito de criar uma sociedade onde as pessoas pudessem, a partir da dor e da privação, se livrar dos apegos às coisas materiais, cria o Clube da Luta, que se espalha e acaba virando um exército nas mãos dele (e de seu alter-ego revolucionário e libertário "Tyler Durden"), pronto para destruir e espalhar caos e pânico pelo país, objetivando uma mudança radical de vida da sociedade.

-O demolidor: o filme mostra a sociedade em Los Angeles de 1996, numa situação caótica e violenta. Em contraste, mostra a mesma cidade no futuro (2032), com um modelo de "sociedade perfeita": não se fala palavrão, não se come nada que faça mal à saúde, as leis são seguidas á risca... Mas existem, como em qualquer modelo de sociedade, os excluídos, que não se adaptam às regras estabelecidas (Puxando um pouco da matéria: essa sociedade segue um pouco a tese de Hobbes, na qual a sociedade abre mão de sua liberdade para que seja garantida a vida e a paz, dando poderes absolutos ao Estado, representado pelo Dr. Cocteau, criador da "sociedade ideal").
O prisioneiro Phoenix, condenado por provocar caos e terror no fim do século vinte, congelado numa prisão criogênica, foge e tem a missão de exterminar o líder dos "refugos" (os excluídos). Para impedir Phoenix, descongelam o detetive que o prendeu em 1996, John Spartan, que simpatiza com a causa dos "refugos" e ajuda a derrubar a "sociedade ideal".

  • Quais as soluções apontadas pelos filmes para os problemas da sociedade?

-Clube da luta: mudança radical através do caos e da violência, destruindo todos os resquícios e entraves da sociedade consumista e materialista, para gerar, teoricamente, uma sociedade mais igual.

-O demolidor: medidas drásticas contra a violência, impondo as leis e a execução exata destas, para gerar uma sociedade mais harmônica. Cada vez mais, essas leis vão interferindo na maneira de viver das pessoas, de tal maneira que os costumes e ideais são modelados por tais leis, criadas por algum indivíduo ou grupo que detém o poder de aplicar e mudar essas leis conforme a própria visão de "sociedade perfeita".

  • Quais os problemas da "sociedade perfeita"?

O principal é que a visão de perfeição muda de pessoa para pessoa, de acordo com a época e com os valores vigentes; não se pode simplesmente impor um estilo de sociedade excludente de acordo com a visão de um indivíduo ou de um grupo dominante. (Puxando a matéria: de acordo com Rousseau, essa sociedade só seria realmente perfeita se respeitasse os direitos à vida, à liberdade, à propriedade e à participação política de todos, igualmente.)

  • O que te define como pessoa? (Resposta individual, não sendo passível de critérios generalizados de correção.)


Dúvidas, críticas e/ou sugestões: mfdsm@hotmail.com