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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Resumo para Recuperação de Geografia - Cap. 10

Vamos seguir os tópicos do Capítulo 10 do livro, que fala de "Urbanização e redes urbanas".

  • Êxodo rural X Urbanização
Urbanização é o fenômeno de crescimento da população urbana em relação ao crescimento da população rural. Uma área urbanizada é aquela aonde a população urbana cresce mais que a rural, e isso acontece no Brasil desde 1950 (pós-guerra e pós-era Vargas). Esse processo é proporcionado pela modo de produção capitalista, que impulsiona a industrialização e a modernização dos meios de trabalho, substituindo a mão-de-obra camponesa por maquinário agrícola, por exemplo. Com a industrialização de certas áreas, vão se formando cidades, que atraem setores comerciais e de serviços, acelerando o processo chamado de êxodo rural, que é a migração em massa de pessoas do campo para as cidades. O êxodo rural é gerado, especialmente, pelo excedente de trabalhadores no campo (como a terra é concentrada - latifúndios - e as pequenas propriedades não comportam tantos trabalhadores, sobre mão-de-obra). Podemos dizer, então, que o êxodo rural é tanto um fator da urbanização (porque acelera o processo) quanto uma consequência (a urbanização também acelera o êxodo rural).
"A atração exercida pelas cidades só pode ser compreendida no contexto da formação prévia dessa superpopulação relativa no campo (excedentes). Destituídos de meios de sobrevivência na zona rural, os migrantes dirigem-se às cidades em busca de empregos e salários na construção civil, no comércio ou nos serviços. A presença de um mercado urbano diversificado abre a possibilidade do trabalho informal, sem vínculo empregatício (sem carteira nem direitos de trabalho). Os serviços públicos de assistência social e hospitalar, mesmo precários, realçam a atração exercida pelo meio urbano. A cidade não é um sonho dourado: é uma promessa de sobrevivência." (pg 184)

  • Urbanização desigual
No Brasil, a urbanização se deu de forma desigual, e as diferenças nesse ritmo de urbanização determinaram as diferenças econômicas entre as várias regiões. O Sudeste, por exemplo, sempre foi o pólo urbano-industrial do Brasil por se encontrar no centro político e econômico, atraindo grande parte dos investimentos e urbanizando-se antes do resto do país. Já o Centro-Oeste teve sua urbanização caracterizada e agilizada pela disponibilidade de força de trabalho (trabalhadores atraídos pelas fronteiras agrícolas e pela construção de Brasília - oportunidade de emprego). O Sul veio depois na corrida urbanizadora, com sua agricultura policultora e de mercado interno, que abastece as cidades (os imigrantes foram um fator acelerador do progresso na região; a proximidade com o Sudeste também facilitou o processo). Depois temos o Nordeste, pólo monocultor desde os tempos de Colônia. Sua industrialização foi atrasada, já que as pessoas saiam da região e iam ao Sudeste em busca de uma vida mais digna; com a saturação do espaço no Sudeste, muitas indústrias buscaram locais mais afastados como o Nordeste (processo de desconcentração industrial). E temos o Norte, região de difícil urbanização (Amazônia), que se urbanizou muito com as tentativas de atração populacional do governo militar e com a expansão das fronteiras agrícolas.

  • Espaços de redes: cidades e fluxos (ver mapa da pg 187)
Assim como as regiões, as cidades também têm seu ritmo de urbanização e sua área de influência diferenciados: de acordo com sua importância no cenário regional, nacional e global e a concentração de seus fluxos (movimentação de pessoas, informações, bens e capital), as cidades são ranqueadas numa certa hierarquia:
  1. Metrópoles globais: exercem influência no país inteiro e são os pontos de ligação com o mundo globalizado, sendo o centro de informações, capital, pessoas e bens.
  2. Metrópoles nacionais: exercem influência em todo o território nacional, especialmente economicamente (a exceção é Brasília, que exerce influência política).
  3. Metrópoles regionais: são centros regionais que atraem os fluxos locais, sendo pólos de cultura, comércio, produção de bens e prestação de serviços que as cidades menores não têm acesso.
  4. Centros regionais: subordinados às metrópoles regionais, expandem a influência destas.
  5. Centros sub-regionais: cidades interioranas que atraem pessoas de cidades próximas com condições mais facilitadas de trabalho, moradia, comércio...

  • Lugares centrais
São os centros econômicos, produtivos, industriais, culturais do país, coincidindo com as duas metrópoles globais: São Paulo e Rio de Janeiro. Essa colocação de metrópole global cada vez mais é associada a São Paulo, que cresce em tamanho e influência (atrai mais investimentos; tem uma bolsa de valores), e cada vez menos ao Rio de Janeiro, que vive uma retração desde a transferência da capital federal para Brasília, tirando grande parte dos investimentos estatais na região. A retração aumenta quando falamos em violência e aglomeração populacional, o que nos remete às favelas e à guerra contra o tráfico no Rio.

  • Megacidades
Desde que se iniciou o processo de urbanização no Brasil, ele se deu de forma concentrada e monopolista, e o mesmo aconteceu com a industrialização. O resultado disso é que certas regiões, em especial Rio de Janeiro, São Paulo e Recife (desde a época da colônia), viraram pólos de atração de investimentos, em detrimento de outras regiões. Com seu crescimento, foram virando metrópoles e, conseqüentemente, centros nacionais. E, com a atração populacional crescente (com o êxodo rural e tudo mais), outras cidades menores foram se ligando a essas cidades, formando o que chamamos de megacidades. Um bom exemplo é a Grande São Paulo, que envolve 39 municípios (entre eles, a cidade de São Paulo), todos eles juntos numa grande mancha urbana (duas ou mais cidades que se juntam fisicamente, não sendo possível delimitar aonde uma termina e a outra começa). E a tendência dessas megacidades é continuar crescendo, juntamente com as cidades médias, que futuramente se tornarão metrópoles.

  • Metrópoles e gestão pública
O processo de urbanização e, futuramente, de metropolização das cidades, é seguido pelo processo chamado de conurbação, que consiste na junção de aglomerados urbanos (cidades, municípios, núcleos urbanos), gerada pelo crescimento exagerado do território ou da influência de pelo menos um desses aglomerados, gerando o efeito da mancha urbana.
Observação: mesmo que não haja junção física, podem ser formadas áreas conurbadas e manchas urbanas pelo intenso fluxo (de bens, pessoas, informações) entre os núcleos urbanos envolvidos
Observação 2.0: a conurbação gera um sério problema, pois o crescimento acelerado e descontrolado dos núcleos urbanos não é acompanhado por medidas dos governos locais para ampliar os serviços básicos (educação, transporte, saúde, moradia), criando áreas faveladas e subúrbios aonde o governo é ausente.
Observação 3.0: é o processo de conurbação que gera as megacidades (ítem anterior).


  • Megalópole e metrópole extendida
Apenas 400 km separam as nossas duas maiores metrópoles Rio e Sampa. O caminho que as separa é delimitado pelo Vale do Paraíba, entre a Serra do Mar e da Mantiqueira, por onde passa a rodovia que interliga as duas cidades, a Presidente Dutra. Nesse caminho, várias cidades menores margeiam a estrada. Com o desenvolvimento crescente de São Paulo e Rio em meados do século passado, houve um crescimento das duas cidades em direção ao Vale do Paraíba, criando a possibilidade de um aglomerado gigantesco entre as duas cidades, chamado Megalópole. Mas essa conurbação nunca ocorreu, pois embora São Paulo continue se desenvolvendo de vento em popa, o Rio sofreu uma retranca quando foi transferida a capital de Guanabara para o Distrito Federal, retirando muitos investimentos da região. Isso dificultou a junção das duas cidades e, graças a isso, a Megalópole é chamada de Incompleta, pois mesmo sem união física, as duas cidades mantém entre si fluxos constantes de capitais, informações, pessoas e bens.
O Rio parou, mas Sampa continuou crescendo. Não mais na direção do Vale, mas pros lados, em direção a Campinas (centro industrial), Sorocaba, São José dos Campos (tecnopólo) e Santos (porto mais importante), todas cidades importantes no cenário regional e nacional. E, como a distância entre elas é relativamente pequena (comparada com a distância do Rio), a possibilidade de conurbação física é real nas próximas décadas. A esse conglomerado deu-se o nome de metrópole extendida, que se caracteriza pela industrialização acelerada (atração de investimentos) e pela queda gradativa da qualidade de vida (excessiva concentração e repulsão de pessoas e empresas).

É isso, boa prova amanhã!!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Último de Geografia

Matéria do Fernando Mendes
Capítulo 16 - Espaço Urbano
O processo de formação das cidades é o que mais evidencia a ação do homem no espaço natural (alteração na vegetação, no relevo, na hidrografia). Com a urbanização e a intensificação do processo de êxodo rural, o setor terciário das cidades começou a ganhar força e espaço, ocupando os centros das cidades, que foram se tornando áreas supervalorizadas e que começaram a saturar, com o tempo. Essa saturação leva à queda da qualidade de vida, excesso de competitividade, o que leva à busca de novos locais para a instalação do setor terciário "nobre" (lojas mais chiques), os subcentros urbanos, que são afastados da zona central. Com a decadência do centro, a tendência das moradias mais ricas é se transferir para a periferia, deixando o centro povoado pela população de baixa renda, que não vive em boas condições.
Outro processo que gera segregação social nas cidades é o de especulação imobiliária: são construídos prédios habitacionais numa área pouco urbanizada, o que deixa os preços baixos, atraindo a população de baixa renda. Com o tempo, vão chegando os serviços de transporte, iluminação, escola, etc., e o imóvel valoriza muito, impedindo a população de baixa renda de continuar morando ali, sendo enxotada para as "cidades clandestinas", as favelas, aonde há casas construídas com péssimos materiais e péssimas técnicas e aonde não há serviços de saneamento, policiamento... Ou seja, o Estado é ausente e a população vive sem lei, aumentando a violência nas cidades.

Capítulo 18 - Política Territorial: Amazônia
Primeiramente, temos que diferenciar a Amazônia Internacional da Amazônia Brasileira, pois a Amazônia, um bioma, abrange vários países vizinhos ao Brasil. A Amazônia, também chamada de Amazônia Legal, corresponde a aproximadamente 61% do território nacional (quase toda a região Norte, o Maranhão e o Mato Grosso. Para gerenciar o desenvolvimento e incentivar o povoamento da Amazônia, foi criada, em 1953, a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (a SPVEA) , responsável pela construção da rodovia Belém-Brasília, com início do plano de integração territorial.
Em 1966, os militares substituíram a SPVEA pela SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), criando, simultaneamente, o Basa (Banco da Amazônia), que atraiu investimentos privados para a região. O maior problema enfrentado pela SUDAM era a fraude nas licitações. Exemplo: um sujeito pegava 30 milhões para construir um projeto de frigorífica perto de Manaus e usava o dinheiro para comprar bens e aplicar parte do dinheiro na Bolsa. Com a inflação, o dinheiro aplicado gerava muito mais dinheiro, que o sujeito pagava à SUDAM, alegando que não faria mais a obra. O problema é que a SUDAM não cobrava juros nem correção monetária, de forma que era muito lucrativo dar calote. Ainda no Regime Militar, foi construída a rodovia Transamazônica (integração territorial), que acabou por ser um fracasso, pois estava fundeada num solo úmido e instável.
Juntamente com a ferrovia Grande Carajás, a Transamazônica foi um fracasso estrutural, que hoje se encontra em semi-abandono.

Capítulo 19 - Políticas Territoriais - Nordeste
Antes de falarmos sobre as políticas territoriais no Nordeste, vejamos como se divide o Nordeste:
• Zona da Mata: região litorânea, mais urbanizada e populosa, aonde se encontram as principais capitais. O clima da região é tropical úmido. Principais produtos: cacau e cana-de-açúcar.
• Agreste: zona de transição entre o litoral e o sertão. O clima varia entre úmido e seco. Os principais produtos da região são advindos da policultura e da pecuária leiteira.
• Sertão: área da caatinga (bioma adaptado à seca), com clima semi-árido (baixíssimo nível de chuvas, alta insolação, altas temperaturas e baixa umidade). Produtos: fruticultura e pecuária (especialmente de caprinos).

Indútria da seca: mentalidade de não-combatividade em relação à seca no Nordeste, pois ela não prejudica tão intensamente a elite agrária. É a falta de vontade política de mudar a realidade e por em prática projetos que amenizem os efeitos catastróficos da seca, pois por isso em prática demanda muito tempo e dinheiro.

Planos de desenvolvimento:
Em 1960, foi criada a Sudene, com o mesmo objetivo que a SUDAM tinha para a Amazônia: atrair investimento para as regiões. O problema da fraude nas licitações também foi similar ao da SUDAM.
Em 1974, foi criada a CODEFASF (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco), que montou represas, promoveu a irrigação do vale e a construção de moradias para a população da região. Uma questão atual sendo discutida pela companhia é a da transposição do São Francisco, que tem por objetivo fazer alguns alagamentos e desvios do rio para levá-lo aos estados do nordeste aonde o Rio não banha. O projeto passa por muito debate e muita discussão em torno dos trajetos e dos custos das obras, além dos aspectos ambientais de se mudar o curso de um rio.

Agora, matéria do Chicão
Capítulo 17 - Políticas Territoriais - Meio ambiente
Fala de que forma eram e são protegidas as riquezas naturais brasileiras pela legislação vigente. Atualmente, existem o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), que delimita as áreas que devem ser protegidas e de que forma são protegidas. São tipos de unidades de conservação: Parques Nacionais, Reservas e Unidades de Uso Sustentável (existem outras também). Das unidades de Uso Sustentável, temos as APA`s (Áreas de Proteção Ambiental, caracterizadas pelo uso sustentável da terra) e as APP`s (Áreas de Proteção Permanente, aonde é delimitada uma certa porcentagem da terra ou da mata que devem ser mantidas, obrigatoriamente, como por exemplo em fazendas onde há mata ciliar ou de galeria). O que cai desse capítulo é basicamente isso.

Capítulo 3 - Clima
Entender esse capítulo ajuda a entender todo o processo de formação do clima, do solo, da hidrografia do Brasil. Primeiramente, cabe dizer que o Brasil está, quase todo ele (menos a região Sul), situada entre o Equador e o Trópico de Capricórnio, zona chamada de Intertropical, caracterizada pela insolação de forma perpendicular durante todo o ano, o que gera as maiores temperaturas médias do globo e as menores amplitudes térmicas (diferença entre as temperaturas mais altas e mais baixas). Essa região é também caracterizada popr ser uma zona de baixa pressão atmosférica, com elevação do ar quente, que é expulso para zonas mais distantes do Equador, o que faz com que essas massas de ar esfriem e desçam, voltando para o Equador, aonde esquentam, sobem e aí por diante (quando a massa de ar 'foge' do Equador, é chamada de vento contra-alísio. Quando sopra para o Equador, é chamada de vento elísio). Por ocorrer essa "atração" das massas de ar para zona de menor pressão, essa zona é chamada de Zona de Convergência InterTropical (ZCIT), que muda de posição ao longo do ano, variando entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio. Essa mudança se deve ao fato da inclinação do eixo da Terra ser variável de acordo com a época do ano.
Quando a ZCIT está sobre a Amazônia (durante o verão), é criada uma massa de ar quente e úmida que atua em todo o país, gerando chuvas por todo o país. A massa de ar contrária a essa massa Equatorial continental (mEc), é chamada de massa tropical Atlântica, que é seca (a princípio) e fria, atuando no inverno e gerando chuvas orográficas no litoral (a massa ganha umidade no oceano e é barrada pela costa, condensando e precipitando). A outra massa de ar presente no Brasil, principalmente no inverno, é a massa polar Antártica, que vem do círculo polar e é fria e seca, podendo se estender por quase todo o país (essa massa é chamada de "frente fria", por se confrontar com o ar quente nas regiões do país).
As massas de ar e o ciclo das chuvas delimitam 3 climas básicos no Brasil:
• úmido (equatorial): alto nível de chuvas (região amazônica), causadas pela transpiração vegetal (50%) e pela mEc (50%).
• semi-úmido (tropical): nível médio de chuvas, com alternância da mEc e da mtA.
• semi-árido: nível muito baixo de chuvas (sertão nordestino). A alta pressão atmosférica sobre o nordeste impede a ação do mEc

Os climas levam também à entender a formação do solo nas diferentes regiões, através do intemperismo, que é o processo de desgaste das rocas, responsável pela formação da "terra", do solo "plantável". O intemperismo, de acordo com o clima, pode ser:
• Físico: processo lento de desgaste, com pouca presença de água, retendo pouca água e aprofundando muito pouco o solo, apesar de ser fértil. Ocorre em regiões semi-áridas, principalmente,
• Químico: desgaste provocado pela água, gerando compostos diversos que ajudadm na lixiviação e na erosão, deixando o solo mais pobre e mais profundo, podendo reter mais água.

Com esses conceitos, é mais fácil entender o Capítulo 4 - Domínios Morfoclimáticos.
Domínio morfoclimático é um conceito usado para se referir a um conjunto espacial de grandes dimensões, aonde interagem coerentemente as características do solo, de relevo, de clima, de hidrologia e de vegetação (biomas, abrange diversos ecossistemas). Entre domínios morfoclimáticos sempre há áreas de transição, que envolvem característica de mais de um domínio.

Os domínios são 6:
• Domínio Amazônico: floresta tropical, terras baixas, clima equatorial (mEc), chuvas abundantes, solo pobre (serrapilheira: reposição rápida de nutrientes), floresta latifoliada e perene.
• Domínio do Cerrado: bioma cerrado (campo limpo, campo sujo, cerradão, cerrado propriamente dito e matas de galeria), solo ácido e profundo, fogo natural como forma de limpeza e enriquecimento do solo (intemperismo químico), clima tropical (mEc e mtA).
• Domínio dos Mares de Morros: região litorânea, acidentada, chuvas orográficas (mtA), clima tropical-úmido, solo pobre (intemperismo químico).
• Domínio das Caatingas: Clima semi-árido, solo raso e fértil (seco - intemperismo físico), desertificação.
• Domínio das Araucárias: clima subtropical (frio e seco - mtA e mpA), floresta de coníferas (adaptadas ao frio).
• Domínio das pradarias: pampas do Sul, região de clime subtropical (frio e seco), com influência das massas mpA, principalmente, e mtA.
-Regiões de transição (ecótonos): pantanal, manguezais e mata dos cocais (MA), principalmente.

É isso, galera da L2. Boas provas! Espero que, mesmo atrasado, o resumo ajude.
Abraços,
Mateus Félix

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Capítulo 15 - Pobreza e desigualdades sociais

PIB - Produto Interno Bruto, é a soma de tudo que é produzido num país. É a medida de sua riqueza, do tamanho de sua economia.(O PIB dos EUA é o maior do mundo, só sendo ultrapassado pela União Européia, 27 países de 1º mundo unidos! O Brasil está na 12ª posição no ranking do PIB) Mas o PIB é uma medida que não leva em consideração os contrastes internos de cada economia: o valor é absoluto, levando em consideração a produção total, e não o que parte disso efetivamente está nas mãos da população em geral. Isso quem indica, de forma generalizada, é o PIB per capita, que é a divisão do PIB pelo número de habitantes do país. O resultado é uma média de quanto cada habitante teria, numa divisão igual. Mas a divisão está longe de ser igual, especialmente se levarmos em conta países de proporções continentais (geralmente subdesenvolvidos ou em desenvolvimento), como o Brasil, a Índia e a China, onde a maior parte da renda está concentrada nas mãos de poucos (empresas, corporações industriais e financeiras e a elite econômica desses países). Tudo fica mais evidente ao compararmos o rendimento dos 10% mais ricos do Brasil com o rendimento dos 40% mais pobres: os 10% lucram 20 vezes mais do que os 40%! E isso é refletido nas condições de vida desses dois grupos (luxo para uns, dificuldades e falta de oportunidade para outros).

A pobreza no Brasil, percentualmente, é maior no campo (39% da população rural) e menor na cidade (28% dos habitantes). Mas, em números absolutos, a situação se inverte: o ambiente urbano tem muito mais pobres. E isso vem desde o início da industrialização das cidades, quando houve uma grande demanda de mão-de-obra barata para os setores secundário e terciário. A falha também se encontra no início: com a grande quantidade de gente que vinha para a cidade, começou a se apresentar um quadro de inchaço populacional (crescimento descontrolado) e de déficit habitacional (concentração das terras), necessitando de alguma providência do governo, como planos de construção de casas populares, erradicação de favelas e invasões, etc. Mas, no Brasil o social nunca foi tomado como prioridade e, desde Vargas, a situação de moradia nas cidades brasileiras é algo precário.
Outra causa que se apresenta para explicar a alta porcentagem de pobreza no campo em detrimento da pobreza urbana é que, no campo, é realizada muitas vezes a agricultura familiar (a família trabalha unida), na qual não há rendimento fixo para os membros da família. Sendo assim, seu rendimento é considerado como sendo zero, o que, estatisticamente, aumenta a porcentagem de pobres. "Nas cidades, praticamente a totalidade da população ativa tem rendimentos, pois a unidade familiar de trabalho foi desagregada pela economia de mercado. Além disso, a linha de pobreza é sempre definida em patamares de rendimento superiores aos do meio rural. Nas cidades, o custo de vida é mais elevado, pois todos os itens que compõem as necessidades indispensáveis para o indivíduo exigem dispêndios monetários (gastos). No campo, de modo geral, roças familiares fornecem uma parte dos produtos para a alimentação, e os custos com habitação e transporte são reduzidos." (página 281) Ao migrar para as cidades, "a população pobre tem acesso precário à habitação e aos serviços públicos, devido à barreia constituída pelo mercado imobiliário. Impossibilitado de adquirir terreno e moradia no mercado imobiliário formal (de acordo com a lei; em Brasília, por exemplo, só se pode comprar terra pela empresa estatal Terracap), é levada a integrar-se ao espaço urbano por meio de um mercado clandestino de terras e casas que envolve loteamentos clandestinos na periferia, cortiços e favelas (e invasões). Uma "cidade clandestina", produzida à margem da legislação urbana, se desenvolve em torno e no interior da "cidade legal"". (pág 282)

As diferenças entre campo e cidade, em relação à pobreza, apresentam contrastes, se pegarmos regiões distintas do Brasil, por exemplo. "Enquanto no Nordeste mais da metade da população é pobre, no Sudeste aproximadamente 19% estão abaixo da linha da pobreza. Os contrastes são ainda mais evidentes quando comparamos a situação dos estados: enquanto no Maranhão os pobres representam 62% da população, em Santa Catarina a Pobreza atinge menos de 13%." (pág 279). E isso que ocorre em Santa Catarina, ocorre nos demais estados do Sul do país, aonde há menos contrastes entre a população urbana e a rural, sendo que "a pobreza no Brasil tem um forte componente regional, e a região mais pobre é aquela que apresentam maior proporção de pessoas vivendo no meio rural". Ou seja, a situação do campo no Sul, apresenta um quadro de maior desenvolvimento e menos desigualdades enquanto a situação no Nordeste é justamente oposta; isso é explicado pela maneira como foram direcionadas as forças produtoras e a maneira de produção nessas terras: enquanto no Nordeste foi usada mão-de-obra escrava para produzir monoculturas de exportação em latifúndios, no Sul predominaram os minifúndios de produção familiar (especialmente com a chegada dos imigrantes), com intenção de abastecimento do mercado interno, fortalecendo a comunidade agrícola dos estados ("desde cedo se desenvolveu uma vasta classe média rural. A estrutura agrária regional comportou-se como um colchão contra a pobreza" - pág. 280).

IDH - Índice de Desenvolvimento Humano
Criado pela ONU com o objetivo de classificar os países quanto à condição de vida de suas populações, o IDH, que vai de 0 a 1 (quanto mais perto de 1, melhores as condições) leva em consideração três critérios de avaliação:
  1. a longevidade: a expectativa de vida de um país, que reflete as condições de saúde da população;
  2. a educação: avaliada por meio da taxa de alfabetização de adultos e da taxa bruta de esescolarização (porcentagem de jovens e crianças na escola);
  3. renda: medida pelo poder aquisitivo da população, por meio do PIB per capita.
O Brasil, com o pior IDH entre os primeiros 70 países, de IDH "alto", consegue maquiar os dados, fazendo com que seu IDH seja maior: no Brasil, todo adulto que consegue assinar seu nome não e mais analfabeto, é analfabeto funcional; é lei que toda criança deva estudar até a 4ª série, independente das condições de ensino e o pib per capita não revela o verdadeiro poder de compra da maior parte da população, que não partilha das benesses que o estrato mais alto da sociedade usufrui. Ou seja, se o IDH avaliasse esses fatores, o Brasil estaria num posição muito mais baixa do que a que ocupa hoje. À partir disso concluímos que o IDH, assim como o PIB absoluto, não é um bom fator de análise sobre o desenvolvimento de um país.


Trabalho infantil e trabalho "escravo"

No Brasil, desde a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), "é proibido qualquer trabalho a menores de 14 anos de idade, salvo, a partir dos 12 anos, na condição de aprendiz..." Depois, foi aumentada para 16 anos a idade mínima para admisão no trabalho e para 14 a idade para a condição de aprendiz. Mas, como tudo no Brasil tem um jeitinho "do mal", a condição de aprendiz é amplamente aceita, dando interpretações muito variadas do que é a condição de aprendiz. E o trabalho infantil, embora reduzido desde a promulgação do ECA, envolve ainda mais de 2 milhões de crianças/adolescentes, mais da metade no Nordeste.
"Apesar dos avanços recentes, o trabalho infantil continua a ser um dos mais vergonhosos atestados da condição de pobreza de milhares de famílias brasileiras, que precisam usar suas crianças para aumentar a produção no campo ou para complementar o orçamento doméstico das cidades. (...) O trabalho infantil compromete o rendimento escolar, quando não impede as crinças de estudarem. Além disso, e apesar da lei, um numero significante decrianças brasileiras trabalh em atividades penosas ou insalubres (sem condições básicas), o que afeta também suas condições de saúde." (pág 283)

"O trabalho infantil, entretanto, não configura, ainda, o limite extremo da exclusão social. Esse lugar é ocupado pela modalidade semelhante ao trabalho escravo, que resiste à história e à lei em milhares de propriedades rurais espalhadas pelo país" (pág 285).

O "sistema de barracão", desde tempos coloniais, funciona da seguinte maneira: os trabalhadores são empregados, "ganhando"as ferramentas de trabalho, as vestimentas e o transporte, que depois são debitados de seus rendimentos. Como isso custa muito, na maioria das vezes os salários não são suficientes para pagar o fazendeiro, ficando em dívida com ele, resultando no trabalho compulsório, "que se prolonga indefinidamente sob o controle de milícias privadas", que cuidam para que os trabalhadores não fujam.


Sobre o ECA: por mais nobre que seja a intenção de se defenderem os direitos dos jovens e crianças do Brasil, o ECA é hoje responsável pela atitude irreverente e irresponsável de muitos "de menores", que deitam e rolam em seus direitos (que são zilhões elevados a n, sendo que n é diferente de zero), não querendo saber de seus deveres, que não são citados no ECA.