terça-feira, 12 de agosto de 2008

Fecundação, Embriologia , Gravidez, Parto e Gêmeos.

A fecundação ocorre quando há a fusão do núcleo do espermatozóide com o núcleo do ovócito secundário.

O processo ocorre da seguinte forma: liberado no canal vaginal, o espermatozóide vencedor encontra o ovócito secundário em uma das tubas uterinas. Com suas enzimas, encontradas no acrossoma ("capacete" do espermatozóide), ele degrada as células da corona radiata e da zona pelúcida do ovócito, chegando ao citoplasma do ovócito. Aí ele fica para que o ovócito II complete a segunda parte de sua meiose, descartando o segundo corpo (ou corpúsculo) polar e gerando um pronúcleo feminino, ao mesmo tempo que o núcleo do espermatozóide separa-se da cauda e gera um pronúcleo masculino. Os pronúcleos haplóides se encontram, gerando o zigoto diplóide, num processo chamado cariogamia. Tudo isso ocorre na tuba uterina. O processo todo é o que chamamos de fecundação.

Depois que o zigoto é formado, não se fala mais em fecundação, mas sim em outros processos de crescimento e desenvolvimento, até o momento da nidação, quando já falamos de gravidez.

O zigoto recém-formado, nas tubas uterinas, começa um processo de transporte para o útero que demora cerca de 7, 8 dias. Esse transporte ocorre através de cílios. Nesses 7 dias na tuba uterina, o primeiro processo sofrido pelo zigoto é chamado de clivagem, que são mitoses sucessivas do núcleo zigótico, gerando 2 células, que geram 4, depois 8 e depois 16. Com 16 células e já perto do útero, o zigoto passa a ser chamado mórula. Cabe lembrar que, mesmo o número de células aumentando, o tamanho total do zigoto/mórula fica constante, pois a zona pelúcida, existente desde antes da fecundação, ainda está presente em torno do núcleo do zigoto/mórula.

Ao virar mórula, a zona pelúcida do ex-zigoto termina de ser degradada e a mórula cresce, abrindo uma cavidade interna, quando passa a ser chamada de blastocisto.
3 diferenças entre a mórula e o blastocisto:
  1. existe uma cavidade interna no blastocisto;
  2. o blastocisto é maior e
  3. a zona pelúcida presente na mórula não existe mais no blastocisto.
O blastocisto é composto por um aglomerado de células (massa interna), pela cavidade interna (blastocele/a) e por um revestimento de células, ao redor da massa interna e da cavidade. Esse revestimento é chamado de trofoblasto, e é o que irá nidar diretamente no endométrio. Além disso, o trofoblasto é extremamente importante para a manutenção do endométrio ao produzir o hormônio beta-HCG, que chega ao corpo lúteo (que normalmente só duraria 14 dias) nos ovários, mantendo o corpo lúteo e a produção de progesterona e estrógeno durante 3 meses, até que esteja formada a placenta, que substituirá o corpo lúteo na produção desses hormônios. Observação: se houver qualquer problema na manutenção do endométrio e esse descamar (menstruação) antes da nidação(ou mesmo com o blastocisto já nidado), acontece o que chamamos de aborto natural, pois impede a gravidez.

Acontece então a nidação do blastocisto no endométrio, acontecimento que, para a medicina atual, indica o início da gravidez (há discordâncias, mas para estudos consideremos assim). Com a nidação, inicia-se o processo de gastrulação, gerando a gástrula, aglomerado de células nidado no endométrio, no qual começa a diferenciação dos 3 tecidos (ou folhetos) embrionários: endoderme, mesoderme e ectoderme, que gerarão os tecidos adultos.
  • Ectoderme: gerará a epiderme e seus anexos (pêlos, unhas, glândulas cutâneas - sudoríparas e sebáceas), as glândulas mamárias, o sistema nervoso ( entral e periférico), hipófise e estruturas do olho (córnea, cristalino e retina).
  • Mesoderme: tecido conjuntivo (ósseo, cartilaginoso, adiposo), a derme, o tecido muscular, o sistema excretor, parte do sistema reprodutor (gônadas - testículos e ovários e outras estruturas), sistema circulatório (mais as células do sangue), sistema linfático e o baço.
  • Endoderme: revestimentos (da faringe, da traquéia, dos brônquios, do tubo digestivo, da bexiga e da uretra), o fígado, o pâncreas, os alvéolos pulmonares, tireóides e paratireóides.


Formação da Notocorda
A notocorda, de origem mesodérmica, é um bastão que sustenta o embrião enquanto o tubo neural e os somitos se formam (eles formarão, respectivamente, a medula e a coluna vertebral). Ela começa a se formar no fim da gastrulação.

















Depois de formada a notocorda e as pregas neurais, finda-se a gastrulação, iniciando a neurulação (formação do sistema nervoso rudimentar do embrião).


Dos 20 para os 21 dias do embrião, as pregas neurais acima da notocorda quase se fundem, formando um tubo acima da notocorda, o tubo neural.

Depois da formação do tubo neural, ele "baixa" para a região do somito(origem mesodérmica), tomando o lugar da notocorda, que se degenera. Com o avanço da gestação, o somito, juntamente com o tubo neural, vai se estendendo pelas costas do embrião, formando as vértebras e as costelas, que se tornam cartilaginosas e vão crescendo com as semanas.
A partir da oitava semana, o embrião já tem quase todas as estruturas corporais formadas, necessitando desenvolvê-las. A partir daí ele é chamado de feto.

Daí pra frente, o que ocorre é o desenvolvimento das estruturas internas e o crescimento do feto até a 36ª, 38ª semana (9 meses, 9 meses e meio, normalmente).

A Placenta
A placenta é uma espécie de bolsa que se forma ao redor do embrião cerca de 3 meses depois da nidação. Ela é responsável pela produção dos hormônios progesterona e estrógeno durante os próximos 6 meses de gravidez. Além disso, é por ela que realiza as trocas sangüíneas entre a mãe e o embriãozinho, possibilitando sua nutrição e desenvolvimento.





















Depois de tanto tempo esperando, o bebê já está pronto para sair. Como?

Parto Normal: o bebê sai por onde "entrou" (pelo colo do útero).
Parto Cesária: por N motivos, a mulher decide fazer o método cirúrgico, no qual o obstetra corta as várias camadas da barriga da mãe para chegar ao bebê.

Motivos para se fazer uma cesariana:
  • quando o bebê não estão com a cabeça para baixo (quando está sentado);
  • quando não há dilatação suficiente no colo do útero para a saída do bebê;
  • quando a criança é muito grande para passar pelo colo do útero;
  • quando a bacia (ossos de sustentação que se expandem para a saída do bebê) da mãe não é grande o suficiente;
  • quando há o chamado "sofrimento fetal" (dificuldade respiratória do bebê, por exemplo) que, se demorar muito para passar pode causar males à saúde do bebê;
  • descolamento da placenta;
  • encurtamento do cordão umbilical ( o bebê literalmente fica preso na barriga da mãe);
  • primeiro filho de mãe idosa, que pode não agüentar o procedimento padrão;
  • sensibilização do feto pelo fator Rh do meio externo (eristoblastose fetal) ou
  • acesso convulsivo da parturiente (mãe) durante o trabalho de parto.
Vantagem do parto normal: o pós-cirúrgico. Não há necessidade de repouso depois de ter dado o parto, enquanto que, na cesária, deve haver um tempo (de uma a duas semanas) de repouso para que o corpo se recupere em parte dos traumas físicos sofridos na cirurgia.

Gêmeos

Quando ocorrem de nascer gêmeos, isso pode ocorrer de duas formas:
  • Quando são dizigóticos (ou fraternos): vêm de dois zigotos diferentes, ambos nidados, formando dois embriões, que podem ter placentas separadas ou fundidas(mais raro). Podem ter ou não sexo igual (em 66% dos casos, o sexo é o mesmo), podendo ter características similares, mas geralmente isso não acontece. São chamados "gêmeos falsos" e representam 2/3 de todos os gêmeos.
  • Quando são monozigóticos (univitelinos): vêm de um mesmo zigoto que, ao passar de mórula para blastocisto, gerou duas massas internas. Quase sempre gerados na mesma placenta, sendo de mesmo fator sanguíneo e, sempre, de mesmo sexo. Assemelham-se enormemente, sendo chamados de "gêmeos idênticos" ou "verdadeiros". São 1/3 dos gêmeos nascidos. Em casos normais, são separados por um disco embrionário (que gera o saco amniótico) quando estão na placenta. Quando isso não ocorre, ou seja, quando são gerados no mesmo saco amniótico, eles nascem com o corpo colado um no outro: são os chamados gêmeos siameses (podem ser gêmeos conjugados se nascerem ligados e com o corpo bem formado, mas pode acontecer de apenas parte de um embrião se desenvolver ligado ao outro, não desenvolvido - gêmeo parasita). Pode ocorrer também de serem gerados na mesma placenta e no mesmo saco amniótico mas desenvolverem-se sem estarem ligados; nesse caso, são gêmeos idênticos normais.

Um comentário:

Glauber Daniel Souza do Vale disse...

muito bom seu blog, e pricncipalment eedta postagem